Beromun

União Europeia - português - EMA (European Medicines Agency)

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Ingredientes ativos:
tasonermin
Disponível em:
Belpharma s.a.
Código ATC:
L03AX11
DCI (Denominação Comum Internacional):
tasonermin
Grupo terapêutico:
Immunostimulants,
Área terapêutica:
Sarcoma
Indicações terapêuticas:
Beromun é indicado em adultos como complemento da cirurgia para posterior remoção do tumor de modo a prevenir ou atrasar a amputação, ou na situação paliativa, para sarcoma de tecido mole irresecável dos membros, usada em combinação com melphalan por meio de hipertensão leve, perfusão de membros (ILP).
Resumo do produto:
Revision: 14
Status de autorização:
Autorizado
Número de autorização:
EMEA/H/C/000206
Data de autorização:
1999-04-12
Código EMEA:
EMEA/H/C/000206

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B. FOLHETO INFORMATIVO

Folheto informativo: Informação para o utilizador

Beromun 1 mg pó para solução para perfusão

Tasonermina

Leia com atenção todo este folheto antes de começar a utilizar este medicamento, pois contém

informação importante para si.

Conserve este folheto. Pode ter necessidade de o ler novamente.

Caso ainda tenha dúvidas, fale com o seu médico.

Se tiver quaisquer efeitos secundários, incluindo possíveis efeitos secundários não indicados

neste folheto, fale com o seu médico.

O que contém este folheto:

O que é Beromun e para que é utilizado

O que precisa de saber antes de utilizar Beromun

Como utilizar Beromun

Efeitos secundários possíveis

Como conservar Beromun

Conteúdo da embalagem e outras informações

1.

O que é Beromun e para que é utilizado

Beromun contém a substância ativa tasonermina (fator de necrose tumoral alfa-1a) produzida por

tecnologia de ADN recombinante. Pertence a uma classe de medicamentos conhecida como

imunoestimulantes, que ajudam o seu sistema imunitário a combater as células tumorais.

O Beromun

é utilizado, juntamente com o medicamento melfalano, para o tratamento do sarcoma dos

tecidos moles dos membros. Ao reduzir o tamanho do tumor, o tratamento pretende facilitar a

remoção cirúrgica do tumor ou prevenir danos graves para o tecido normal envolvente e assim atrasar

ou prevenir a necessidade de amputação de um braço ou de uma perna.

2.

O que precisa de saber antes de utilizar Beromun

Não utilize Beromun

se tem alergia à tasonermina ou a qualquer outro componente deste medicamento (indicados na

secção 6).

se tiver problemas cardíacos significativos.

se tiver uma doença pulmonar grave

se tiver, ou se tiver tido há pouco tempo, uma úlcera no estômago

se tiver valores de células do sangue muito baixos ou problemas de sangramento

se tiver uma doença ligeira ou grave nos rins ou no fígado

se não pode tomar vasoconstritores (utilizados para aumentar a pressão arterial),

anticoagulantes utilizados para evitar a coagulação do sangue) ou marcadores radioativos

se também está a tomar medicamentos que são tóxicos para o coração

se tem níveis elevados de cálcio no sangue

se tem determinadas infeções que não respondem aos antibióticos

se tem um inchaço (edema) marcado do membro afetado devido ao aparecimento de retenção

líquida local, ou devido ao aparecimento de líquido abdominal abundante

se está grávida, ou planeia ficar grávida

se está a amamentar, deve parar pelo menos por sete dias após tratamento com o Beromun

Advertências e precauções

O Beromun ser-lhe-á administrado por um médico que seja experiente e qualificado na perfusão

isolada do membro (ILP). Esta técnica assegura que o Beromun fica contido no membro afetado. É

importante que não alcance outras partes do seu corpo, porque esta fuga sistémica pode causar efeitos

secundários graves nos principais órgãos do corpo.

Durante a ILP e o período de sete a dez dias a seguir que vai necessitar de ficar no Hospital, o seu

médico vai monitorizar cuidadosamente a sua pressão arterial, circulação e quaisquer efeitos

secundários. Poderá ter de ficar numa unidade de cuidados intensivos (UCI) por um breve período

imediatamente após a ILP.

Poderá desenvolver uma situação chamada “síndrome compartimental” nos primeiros três dias após a

administração de Beromun. Os sintomas de lesão muscular no membro perfundido incluem dor,

inchaço (tumefação), assim como sintomas neurológicos (por exemplo, parestesia, paralisia), que

devem ser todos comunicados imediatamente ao médico assistente.

Outros medicamentos e Beromun

Informe o seu médico se estiver a tomar, tiver tomado recentemente, ou se vier a tomar outros

medicamentos. Em particular, deve dizer ao seu médico se estiver a tomar medicamentos para baixar

a pressão arterial (para tratar a hipertensão).

Para a ILP, também irá receber outros medicamentos para controlar a dor, febre, pressão arterial e

coagulação, assim como anestesia geral.

Gravidez e amamentação

Não deve utilizar Beromun se estiver grávida.

Não deve amamentar pelo menos durante sete dias após o tratamento com Beromun.

Condução de veículos e utilização de máquinas

Não relevante

Beromun contém sódio

O medicamento reconstituído contém até 151,27 mg (6,58 mmol) de sódio por dose recomendada.

Esta informação deve ser tida em consideração em doentes com ingestão controlada de sódio.

O recipiente contém borracha de látex

A embalagem deste medicamento contém borracha de látex. Pode causar reações alérgicas graves.

3.

Como utilizar Beromun

Beromun será administrado por perfusão isolada do membro (ILP), juntamente com o agente

antitumoral melfalano. Isto ocorrerá enquanto está inconsciente, sob a influência de uma anestesia

geral.

O fluxo sanguíneo de e para o seu membro afetado será interrompido pelo uso de um torniquete. O

sangue, oxigenado por uma máquina que funciona como o coração e os pulmões, é bombeado para o

seu membro afetado através de um cateter colocado na artéria principal, enquanto é drenado

(bombeado para fora) da veia principal. O Beromun e depois o melfalano são injetados neste circuito,

num total de 90 minutos em que o membro afetado estará exposto ao Beromun.

A dose recomendada de Beromun depende do membro afetado, normalmente 3 mg para o braço e

4 mg para a perna. O pó de Beromun tem de ser dissolvido. A solução resultante será administrada

numa artéria no seu braço ou perna afetado por ILP durante um período inicial de 30 minutos. Então,

será adicionado melfalano e o ILP continuará por mais 60 minutos.

Finalmente, o seu membro será lavado para remover o resto de Beromun e melfalano.

A ILP permite que as células tumorais no seu membro possam ser expostas a uma dose muito elevada

de Beromun e melfalano, aumentando o seu efeito antitumoral, mas sem atingirem o resto do corpo,

onde poderiam causar efeitos secundários graves.

Normalmente, não receberá uma segunda ILP com o Beromun. Se o fizer, não será antes de pelo

menos 6 semanas após a primeira ILP.

Se utilizar mais Beromun do que deveria

Como o Beromun é sempre administrado por médicos hospitalares, experientes e qualificados, a

sobredosagem acidental é extremamente improvável. Contudo, se ocorrer, o seu médico lavará

imediatamente o seu membro afetado, para remover o Beromun, e a ILP será interrompida. Se existir

algum risco de efeitos secundários graves, o seu médico transferi-lo-á imediatamente para uma

unidade de cuidados intensivos para o monitorizar cuidadosamente e iniciar o tratamento adequado.

Se ocorrer uma fuga sistémica significativa de Beromun

Se mais de 10% da dose de Beromun atingirem outra parte do seu corpo, o seu médico tomará

medidas semelhantes às de uma sobredosagem.

Caso ainda tenha dúvidas sobre a utilização deste medicamento, fale com o seu médico.

4.

Efeitos secundários possíveis

Como todos os medicamentos, este medicamento pode causar efeitos secundários, embora estes não

se manifestem em todas as pessoas.

Os efeitos secundários podem ser causados pelo Beromun, pelo melfalano, pela técnica de ILP ou por

uma combinação destes fatores. Alguns dos efeitos secundários podem ser graves, particularmente se

o Beromun alcançar outras partes do seu organismo (fuga sistémica). Em aproximadamente 2% dos

casos, o Beromun pode causar lesões nos tecidos do seu braço ou perna afetado, que podem ser

suficientemente graves para requerer amputação. Se existir algum risco de efeitos secundários graves,

o seu médico irá imediatamente transferi-lo para uma unidade de cuidados intensivos, para o

monitorizar rigorosamente e iniciar o tratamentpo adequado.

Os seguintes efeitos secundários foram observados durante o tratamento com este medicamento

(agrupados de acordo com a probabilidade de ocorrerem).

Muito frequentes (podem afetar mais de 1 pessoa em cada 10)

alterações no seu batimento cardíaco (arritmias)

sentir-se doente, vómitos

lesão no fígado

bolhas na pele

febre (normalmente fraca a moderada), arrepios

dor no braço ou perna afetados

cansaço (fadiga)

Frequentes (podem afetar até 1 pessoa em cada 10)

infeções

infeções no local da ferida

redução no número de algumas células brancas do sangue e plaquetas

reações de hipersensibilidade (alérgicas)

lesão nos nervos

diminuição do estado de consciência

dor de cabeça

problemas cardíacos que podem causar falta de ar ou inchaço nos tronozelos

formação de coágulos de sangue na artéria ou veia do braço ou perna afetados (trombose)

pressão sanguínea baixa, choque

problemas de respiração graves

obstipação (prisão de ventre), diarreia

necrose da pele (morte das células da pele) no braço ou perna afetados

inchaço dos tronozelos, pés ou dedos, causado pela acumulação de fluido no braço ou perna

afetados

“síndroma compartimental”, uma doença caracterizada por dor, inchaço e sintomas

neurológicos, bem como dano muscular no braço ou perna afetados

dor muscular

proteínas na urina

suores noturnos

necrose dos tecidos (morte das células dos tecidos) no braço ou perna afetados,

suficientemente grave para causar a amputação

Pouco frequentes (podem afetar até 1 pessoa em cada 100)

envenenamento sanguíneo (sepsis)

líquido nos pulmões

dor no estômago

inflamação da mucosa gástrica (gastrite)

perda temporária das unhas da mão ou do pé do membro afetado

compromisso renal

testes sanguíneos que mostram alterações na forma como os rins estão a funcionar

estreitamento ou obstrução dos vasos dos membros que levam o sangue do coração

Comunicação de efeitos secundários

Se tiver quaisquer efeitos secundários, incluindo possíveis efeitos secundários não indicados neste

folheto, fale com o seu médico. Também poderá comunicar efeitos secundários diretamente através do

sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V. Ao comunicar efeitos secundários, estará

a ajudar a fornecer mais informações sobre a segurança deste medicamento.

5.

Como conservar Beromun

Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças.

Não utilize este medicamento após o prazo de validade impresso na embalagem exterior e no rótulo

do frasco, após EXP. O prazo de validade corresponde ao último dia do mês indicado.

Conservar no frigorífico (2°C - 8°C). O produto deve ser utilizado imediatamente após reconstituição.

6.

Conteúdo da embalagem e outras informações

Qual a composição de Beromun

A substância ativa é a tasonermina. Cada frasco para injetáveis contém 1 mg de tasonermina. O

conteúdo de um frasco para injetáveis de Beromun pó deve ser reconstituído com 5,3 ml de

solução injetável estéril de cloreto de sódio a 0,9%.

Os outros componentes (excipientes) são fosfato monossódico di-hidratado, hidrogenofosfato

dissódico dodecahidratado e albumina sérica humana.

Qual o aspeto de Beromun e conteúdo da embalagem

Beromun é um pó de cor branca a esbranquiçada para solução para perfusão (pó para perfusão)

fornecido num frasco de vidro para injetáveis com uma rolha de borracha e selado com cápsula de

alumínio ou tipo “flip-off” (cápsula de fecho de abertura fácil).

Cada embalagem contém 4 frascos para injetáveis contendo pó.

Titular da Autorização de Introdução no Mercado

BELPHARMA s.a.

2, Rue Albert 1er

L-1117 Luxemburgo

Grão‑Ducado do Luxemburgo

Fabricante

Eumedica NV

Chemin de Nauwelette 1

B-7170 Manage

Bélgica

Para quaisquer informações sobre este medicamento, queira contactar o Titular da Autorização de

Introdução no Mercado:

BELPHARMA s.a.

2, Rue Albert 1er

L-1117 Luxemburgo

Grão‑Ducado do Luxemburgo

Tel : +352 27403070

Este folheto foi revisto pela última vez em

Outras fontes de informação

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet

da Agência

Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu

Este folheto está disponível em todas as línguas da UE/EEE no sítio da internet da Agência Europeia

de Medicamentos.

Leia o documento completo

ANEXO I

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

1.

NOME DO MEDICAMENTO

Beromun 1 mg pó para solução para perfusão

2.

COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada frasco para injetáveis contém 1 mg de tasonermina*, correspondendo a 3,0-6,0 x 10

(Unidades Internacionais).

*fator de necrose tumoral alfa-1a (TNF

-1a) produzido por tecnologia de ADN recombinante da

E.

coli

Excipiente(s) com efeito conhecido:

Cada frasco para injetáveis contém 20,12 mg (0,87 mmol) de sódio. Após a reconstituição em solução

fisiológica de cloreto de sódio a 0,9%, a quantidade de sódio é de 37,82 mg (1,64 mmol).

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3.

FORMA FARMACÊUTICA

Pó para solução para perfusão (pó para perfusão).

O pó é de cor branca a esbranquiçada.

4.

INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1

Indicações terapêuticas

Beromun é indicado em adultos como adjuvante da cirurgia para a remoção subsequente do tumor,

para prevenir ou retardar a amputação, ou como tratamento paliativo em sarcomas das partes moles

irresecáveis dos membros, em associação com o melfalan, através de perfusão isolada do membro

(ILP) hipertérmica moderada.

4.2

Posologia e modo de administração

Este tratamento deve ser executado em centros especializados e por equipas de cirurgiões com

experiência no controlo de sarcomas dos membros e procedimento ILP, dispondo sempre de uma

unidade de cuidados intensivos de rápido acesso, com recurso à monitorização contínua para a

possível fuga do medicamento para a circulação sistémica.

Posologia

Beromun:

Membros superiores: 3 mg de dose total por ILP

Membros inferiores: 4 mg de dose total por ILP

Melfalan:

A dose de melfalan deve ser calculada de acordo com o método de volume-litro de Wieberdink

(Wieberdink J, Benckhuysen C, Braat RP, van Slooten EA, Olthius GAA. Dosimetry in isolation

perfusion of the limbs by assessments of perfused tissue volume and grading of toxic tissue reactions.

Eur J Cancer Clin Oncol 1982; 18: 905-910.), até uma dose máxima de 150 mg.

13 mg/litro perfundidos no volume do membro superior.

10 mg/litro perfundidos no volume do membro inferior.

População pediátrica

A segurança e eficácia do Beromun em crianças com menos de 18 anos não foram estabelecidas. Não

existem dados disponíveis.

Modo de administração

Precauções a ter em conta antes de manusear ou administrar o medicamento

É recomendado o uso de luvas durante a preparação ou manuseamento das soluções de Beromun.

Caso o pó seco ou a solução reconstituída de Beromun entrem em contacto com a pele ou com as

membranas mucosas, essas áreas deverão ser lavadas abundantemente com água.

Para instruções acerca da reconstituição do medicamento antes da administração, ver secção 6.6.

O Beromun deve ser administrado por ILP hipertérmica moderada. O circuito de perfusão (cilindro da

bomba, oxigenador com reservatório integrado, trocas de calor, tubos de ligação) deve ser preparado

antes da cirurgia e passado uma primeira vez com 700 a 800 ml de perfusado, com um hematócrito de

0,25 a 0,30.

O nível de perfusão deve ser escolhido para alcançar adequadamente o tecido afetado (sendo aceites

as vias ilíaco externa, femural comum, femoro-popliteal, popliteal, axilar e braqueal) e os cateteres

introduzidos. A perda externa de calor do membro deve ser evitada por aplicação de cobertores

térmicos e a temperatura do membro deve ser continuamente monitorizada por sondas

thermistor

inseridas no tecido subcutâneo e músculo. A mão e o pé, se não estiverem afetados, devem ser

protegidos com ligaduras

Esmarch

(expulsão). Deve ser aplicado um torniquete no membro proximal.

Após a ligação do membro ao circuito isolado, a taxa de perfusão deve ser ajustada para 35 a

40 ml/litro de volume do membro/minuto e a fuga do membro para a circulação sistémica verificada

utilizando uma técnica de marcador radioativo (ver secção 4.4). O ajuste da taxa de perfusão e do

torniquete podem ser necessários para garantir que a fuga do circuito de perfusão para a circulação

sistémica é estável (até o nível sistémico de radioatividade ter atingido um patamar) e que não exceda

10%. O Beromun só deve ser administrado se a fuga for menor que 10%.

Quando a temperatura do tecido subcutâneo distal do membro atingir 38ºC (mas sem exceder os 39ºC)

e o pH do perfusado estiver entre 7,2 e 7,35, o Beromun deve ser injetado como um bólus na linha

arterial do circuito. Após 30 minutos de perfusão só com Beromun, o melfalan deve ser adicionado

como um bólus no reservatório do circuito ou lentamente na linha arterial do circuito. A temperatura

deve então ser aumentada para 39ºC (mas sem exceder os 40ºC) em dois locais de medição diferentes

da área tumoral. O tempo de perfusão que inclui o melfalan deve ser de 60 minutos. Assim, a duração

total da perfusão deve ser de 90 minutos.

No final da perfusão, o resultado da perfusão deve ser recolhido no reservatório, enquanto o líquido

de lavagem é adicionado ao circuito simultaneamente e circulado com a mesma taxa de perfusão de

35 a 40 ml/litro de volume do membro/minuto. Deve-se continuar a lavagem até a cor do perfusado

ser límpida cor-de-rosa, transparente (ver secção 4.4).

Deve ser realizada, sempre que for possível, a resecção cirúrgica do tumor remanescente. Se

necessário, pode ser considerado um segundo procedimento ILP, 6-8 semanas após o primeiro (ver

secção 4.4).

4.3

Contraindicações

As contraindicações da ILP com Beromun, subdivididas por componentes do procedimento, são:

Contraindicações do Beromun:

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1.

Doença cardiovascular significativa, por exemplo: insuficiência cardíaca congestiva (New York Heart

Association classe II, III ou IV), angina de peito grave, arritmia cardíaca, enfarte do miocárdio nos

três meses precedentes ao tratamento, trombose venosa, doença arterial periférica oclusiva e embolia

pulmonar recente.

Disfunção pulmonar grave.

História recente de/ou úlcera péptica ativa.

Ascite volumosa.

Disfunção hematológica significativa, por exemplo, leucócitos < 2.5 x 10

/l, hemoglobina < 9 g/dl,

plaquetas < 60 x 10

/l, diátese hemorrágica ou hemorragia ativa.

Disfunção renal significativa, por exemplo síndrome nefrótico, creatinina sérica > 150 µmol/l, ou

depuração da creatinina < 50 ml/minuto.

Disfunção hepática significativa, por exemplo níveis de aminotransferase aspartato, aminotransferase

alanina ou fosfatase alcalina

>

2 x superior ao limite normal, ou níveis de bilirrubina > 1,25 x os

limites máximos dos níveis normais.

Hipercalcémia > 12 mg/dl (2,99 mmol/l).

Doentes com contraindicações para o uso de substâncias vasoconstritoras.

Doentes com contraindicações para o uso de anticoagulantes.

Tratamento simultâneo com substâncias cardiotóxicas (por exemplo antraciclinas).

Gravidez e aleitamento. (ver secção 4.6)

Contraindicações do melfalan:

Por favor veja o Resumo das Características do Medicamento do melfalan.

Contraindicações do procedimento ILP:

Ascite volumosa.

Linfoedema grave do membro.

Doentes com contraindicações para o uso de agentes vasoconstritores.

Doentes com contraindicações para o uso de anticoagulantes.

Doentes com contraindicações para a monitorização com marcadores radioativos.

Doentes com contraindicações para a hipertermia do membro.

Doentes onde o aporte sanguíneo à extremidade distal do tumor é fortemente suspeito de ser altamente

dependente dos vasos sanguíneos associados ao tumor. Esta situação pode ser clarificada através de

uma arteriografia.

Gravidez e aleitamento.

4.4

Advertências e precauções especiais de utilização

A ILP, deve ser executada em centros especializados e por equipas de cirurgiões com experiência no

controlo de sarcomas dos membros e procedimento ILP, dispondo sempre de uma unidade de

cuidados intensivos de rápido acesso, com recurso à monitorização contínua para a possível fuga do

medicamento para a circulação sistémica. O Beromun não pode ser administrado sistemicamente.

Por favor veja o Resumo das Características do Medicamento do melfalan antes de iniciar um

procedimento ILP.

A indução de anestesia geral e a subsequente ventilação mecânica devem ser executadas de acordo

com os métodos padrão. É importante manter um nível constante de anestesia de modo a prevenir

grandes flutuações da pressão sanguínea sistémica, o que pode ter influência em fugas entre a

circulação sistémica e o circuito de perfusão.

No decurso do procedimento ILP recomenda-se vivamente a monitorização da pressão venosa central

e arterial. Também a monitorização da tensão arterial, do débito urinário e eletrocardiografia, deve ser

executada, por rotina, nas primeiras 24 a 48 horas pós-ILP, ou, ainda por mais tempo, se indicado.

Para a monitorização da pressão da artéria pulmonar deve ser considerada monitorização

hemodinâmica com um cateter

Swan-Ganz

com pressão de encravamento, durante e após o

procedimento ILP.

A profilaxia e o tratamento da febre, arrepios e outros sintomas gripais, associados à administração de

Beromun podem ser obtidos através da administração prévia ao procedimento ILP de paracetamol

(oral ou retal), ou de outro analgésico/antipirético alternativo.

Para a profilaxia do choque, os doentes devem ser sempre bem hidratados antes de, durante e após o

procedimento de perfusão. Isto assegura as condições hemodinâmicas ótimas e assegura um elevado

débito urinário, particularmente após a perfusão, de modo a permitir uma depuração rápida de

qualquer resíduo de tasonermina. Devem estar disponíveis líquidos de ressuscitação suplementares

(soluções cristaloides ou coloidais) para fazer a expansão do volume no caso de queda significativa da

pressão sanguínea. Os coloides ou os líquidos de amido hidroxi-etílico são preferidos porque têm

menos probabilidades de fuga do sistema vascular. Adicionalmente, de acordo com a situação clínica,

deve-se considerar a administração de um agente vasoconstritor, por exemplo a dopamina, durante o

procedimento ILP, bem assim como no período pós-procedimento. No caso de se verificar choque

grave antes do final do ILP, a perfusão do membro deve ser descontinuada e administrada terapêutica

apropriada.

No sentido de minimizar o risco de fugas do perfusado para a circulação sistémica, a taxa de perfusão

não deve exceder 40 ml/litro membro volume/minuto. A fuga potencial deve ser determinada através

de albumina marcada radioactivamente, ou eritrócitos, injetada no circuito de perfusão, com medidas

apropriadas de monitorização contínua da radioatividade na circulação sistémica.Pode ser necessário

ajustar a taxa de perfusão e o torniquete para garantir que a fuga é estável (quando o nível sistémico

de radioatividade atingiu um patamar) e não excede os 10%. A perfusão deve ser terminada se forem

atingidos níveis cumulativos de fuga para a circulação sistémica > 10 %. Nestes casos, deve ser

executado um sistema padrão de lavagem, utilizando pelo menos dois litros de dextrano 70 para

perfusão intravenosa ou outro líquido similar.

Após o procedimento ILP, deve sempre ser executado um procedimento padrão de lavagem usando

dextrano 70 para perfusão intravenosa ou outro líquido similar. Após uma perfusão do membro

inferior, devem ser empregues 3 a 6 litros e 1 a 2 litros após perfusão do membro superior. As

perfusões popliteias e braqueais podem não requer mais de 1 litro. As lavagens devem continuar até

que se obtenha um fluxo límpido (cor-de-rosa, transparente) venoso.

Devem ser tomadas medidas que assegurem que os períodos de interrupção de aporte de oxigénio ao

membro sejam o mais breves possível (20 minutos no máximo).

Deve ser realizada, sempre que for possível, a resecção cirúrgica do tumor remanescente. Se

necessário, pode ser considerado um segundo procedimento ILP, 6-8 semanas após o primeiro.

Os médicos devem levar em consideração a taxa de fuga do ILP anterior, se for indicado um segundo

ILP.

A dose máxima tolerada (DMT) de tasonermina para ILP é de 4 mg, o que é 10 vezes a DMT

sistémica. Portanto, sempre que haja uma fuga sistémica significativa de tasonermina, são de esperar

efeitos indesejáveis graves. Foram administradas doses até 6 mg de preparações de outros TNF

ILP, mas verificou-se que esta dose era inaceitável em termos de toxicidade local-regional.

Deve ser evitada a combinação com substâncias cardiotóxicas (por exemplo, antraciclinas), uma vez

que a tasonermina poderá aumentar a cardiotoxicidade, tal como observado em estudos toxicológicos

pré-clínicos de 13 semanas. Não se recomenda a administração concomitante de substâncias que

possam causar hipotensão significativa (ver secção 4.5).

Geralmente são utilizadas algumas medidas terapêuticas durante o ILP e no período pós-operatório

imedidato. Estas incluem agentes anestésicos, analgésicos, antipiréticos, fluidos intravenosos, agentes

anticoagulantes e vasopressores. Não existe evidência que qualquer um destes agentes anule os efeitos

farmacodinâmicos da tasonermina. Não foram ainda notificadas interações significativas, mas

recomenda-se precaução (ver secção 4.5)

Se aparecerem sinais de toxicidade sistémica, por exemplo febre, arritmias cardíacas,

choque/hipotensão, síndrome da dificuldade respiratória do adulto (SDRA), devem ser aplicadas

medidas gerais de assistência e o doente ser transferido para uma Unidade de Cuidados Intensivos

para monitorização. São recomendados expansores de volume e vasoconstritores. Pode ser necessária

assistência respiratória artificial se se desenvolver um SDRA. As funções renal e hepática devem ser

cuidadosamente monitorizadas. Podem ser esperadas disfunções hematológicas, particularmente

leucopenia, trombocitopenia e distúrbios de coagulação.

Em doentes isolados tratados com Beromun, foram observados casos de síndrome compartimental

caracterizado por dor, tumefação e sintomas neurológicos, bem como lesão muscular afetando o

membro perfundido. Por conseguinte, os doentes deverão ser monitorizados durante os primeiros três

dias subsequentes ao ILP. No caso de se estabelecer o diagnóstico de síndrome compartimental,

deverá considerar-se a instituição da seguinte terapêutica:

Fasciotomia de todos os compartimentos musculares do membro afetado,

Diurese forçada e alcalinização da urina, caso ocorra lesão muscular com um aumento dos níveis

de mioglobina no plasma e urina.

O medicamento reconstituído contém até 151,27 mg (6,58 mmol) de sódio por dose recomendada.

Esta informação deve ser tida em consideração em doentes com ingestão controlada de sódio.

A embalagem deste medicamento contém borracha de látex. Pode causar reações alérgicas.

4.5

Interações medicamentosas e outras formas de interação

Não foram realizados estudos de interação.

O Beromun já foi utilizado em coadministração com o interferão-gama no decurso do procedimento

ILP mas não se verificou nenhuma vantagem. A adição de interferão-gama ao perfusado de

tasonermina parece não estar associada a aumentos significativos da produção endógena de

tasonermina ou outras citoquinas inflamatórias, como foi demonstrado em doentes com trauma grave.

Os dados clínicos, contudo, indicam que a incidência geral dos efeitos adversos é aumentada se o

doente for exposto simultaneamente à tasonermina e ao interferão-gama.

Devem ser evitadas associações com substâncias cardiotóxicas (p.ex. antraciclinas) devido a ser

possível que a tasonermina possa aumentar a cardiotoxicidade, como foi observado em investigações

toxicológicas pré-clínicas de 13 semanas (ver secção 4.4).

É utilizado rotineiramente um determinado número de medidas terapêuticas durante o ILP e

imediatamente após o procedimento. Estas incluem agentes anestésicos padrão, analgésicos,

antipiréticos, líquidos intravenosos, anticoagulantes e agentes vasoconstritores. Não existem provas

que nenhum destes agentes contrarie os efeitos farmacodinâmicos da tasonermina. Não foram

detetadas até ao momento interações significativas, mas deve-se encarar o problema com precaução

(ver secção 4.4).

A administração concomitante de agentes capazes de causar hipotensão significativa, não é

recomendável (ver secção 4.4).

O Resumo das Características do Medicamento do melfalan deve ser consultado para obter

informações sobre as interações do melfalan.

4.6

Fertilidade, gravidez e aleitamento

Gravidez

A quantidade de dados adequados sobre a utilização de tasonermina em mulheres grávidas é

insuficiente. Os estudos em animais são insuficientes para determinar os efeitos sobre a gravidez, o

desenvolvimento embrionário e o desenvolvimento pós-natal (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco

potencial para o ser humano. Beromun é contraindicado durante a gravidez (ver secção 4.3).

Amamentação

Desconhece-se se a tasonermina é excretada no leite materno. Devido a desconhecer-se qual o risco

para a criança a amamentação materna está contraindicada nos 7 dias após o ILP (ver secção 4.3).

Fertilidade

Não existem dados sobre os possíveis efeitos deste medicamento na fertilidade masculina ou

feminina.

4.7

Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Não relevante.

4.8

Efeitos indesejáveis

Sumário do perfil de segurança

Os efeitos indesejáveis podem estar relacionados com o Beromun, com o melfalan ou com o

procedimento de ILP e medidas associadas, ou com uma combinação destes fatores.

As reações adversas mais frequentemente notificadas nos ensaios clínicos foram febre, náuseas,

vómitos, fadiga, arritmia, arrepios, dor, infeção da ferida e reação cutânea. As reações adversas

podem ser locais, afetando o membro tratado com ILP, ou sistémicas. As reações adversas sistémicas

incluem fracas reações constitucionais e efeitos tóxicos em diferentes sistemas de orgãos.

Tabela resumo das reações adversas

As reações adversas encontram-se listadas em classes de frequência, utilizando a seguinte convenção:

Muito frequentes (≥1/10), frequentes (≥1/100, <1/10), pouco frequentes (≥ 1/1.000, <1/100), raros

(≥ 1/10.000,<1/1.000)

Infeções e infestações

Frequentes:

Infeção, infeção da ferida

Pouco frequentes:

Sepsis

Doenças do sangue e do sistema linfático

Frequentes:

Leucopenia, trombocitopenia

Doenças do sistema imunitário

Frequentes:

Reação de hipersensibilidade

Doenças do sistema nervoso

Frequentes:

Lesão do nervo, neurotoxicidade periférica, estado de consciência

alterado, cefaleias

Cardiopatias

Muito frequentes:

Arritmias

Frequentes:

Insuficiência cardíaca

Vasculopatias

Frequentes:

Trombose venosa, trombose arterial, choque, hipotensão

Pouco frequentes:

Edema pulmonar

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino

Frequentes:

Síndrome da dificuldade respiratória do adulto

Pouco frequentes:

Edema pulmonar

Doenças gastrointestinais

Muito frequentes:

Náuseas, vómitos

Frequentes:

Diarreia, obstipação

Pouco frequentes:

Dor abdominal superior, gastrite erosiva

Afeções hepatobiliares

Muito frequentes:

Hepatotoxicidade

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos

Muito frequentes:

Reações cutâneas

Frequentes:

Necrose cutânea, edema periférico

Pouco frequentes:

Onicomadese (perda de unhas)

Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos

Frequentes:

Síndroma compartimental, mialgia

Doenças renais e urinárias

Frequentes:

Proteinúria

Pouco frequentes:

Insuficiência renal aguda

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Muito frequentes:

Febre, arrepios, dor, fadiga

Frequentes:

Suores noturnos

Exames complementares de diagnóstico

Pouco frequentes:

Aumento da creatinémia

Procedimentos cirúrgicos e médicos

Frequentes:

Necrose das extremidades, suficientemente grave para justificar

amputação

Descrição das reações adversas selecionadas

A necrose das extremidades e o síndrome compartimental, poderão ser suficientemente graves para

provocar a amputação.

Foi reportado um início tardio de Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) dos membros

inferiores em doentes, vários anos após a ILP, predominantemente em doentes com fatores de risco

cardiovasculares ou que tinham sido submetidos a terapia com radiações no membro em causa.

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma

vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos

profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema

nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9

Sobredosagem

Se ocorrer sobredosagem acidental, o processo ILP deve ser imediatamente interrompido e o membro

lavado com pelo menos 2 litros de dextrano 70 para perfusão intravenosa ou outro líquido similar (ver

também secção 4.4).

Se surgirem sinais de toxicidade sistémica, como por exemplo, febre, arritmias cardíacas,

choque/hipotensão e síndrome da dificuldade respiratória do adulto (SDRA), devem-se empregar as

medidas gerais de suporte, sendo o doente imediatamente transferido para uma Unidade de Cuidados

Intensivos para monitorização. Recomenda-se o uso de dilatadores de volume e vasoconstritores. Se

surgir síndrome da dificuldade respiratória do adulto, pode ser necessária ventilação mecânica de

suporte. As funções renal e hepática devem ser cuidadosamente monitorizadas. Podem ser esperadas

desordens hematológicas, em particular leucopénia, trombocitopénia e alteração da coagulação.

Não existe antídoto específico disponível para a tasonermina. O tratamento com anticorpos anti-

não é recomendado.

Por favor veja o Resumo das Características do Medicamento do melfalan para informação sobre a

sobredosagem com o melfalan.

5.

PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1

Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Outros imunoestimulantes, código ATC: L03AX11

Mecanismo de ação

A Atividade antitumoral

in vivo

é provavelmente baseada em efeitos diretos e indiretos.

Inibição direta da proliferação das células tumorais:

A tasonermina apresenta atividade citotóxica ou

citostática

in vitro

para uma variedade de linhas de células tumorais de diferente histiogenese.

Efeitos diretos na vascularização tumoral:

A tasonermina afeta a morfologia e reduz a proliferação

das células endoteliais e modifica a expressão da superfície celular específica e das proteínas

secretoras (incluindo adesão de moléculas e proteínas moduladoras da coagulação, interleuquinas e

fatores de crescimento hematopoiéticos). Estas alterações por sua vez levam a um estado pró-

coagulante resultando em trombose microvascular. Para além disso, a aderência e a extravasão de

leucócitos aumenta, levando à infiltração do tumor por linfócitos, monócitos e granulócitos. A razão

para a sensibilidade diferencial da vascularização tumoral (elevada),

versus

a vascularização normal

(baixa), é atualmente desconhecida.

Imunomodulação direta e indireta:

A tasonermina tem um profundo efeito nos componentes celulares

do sistema imunitário. Surge a proliferação dos linfócitos-T e -B ativados, o desenvolvimento de

células T citotóxicas e o aumento de células secretoras de imunoglobulina, os monócitos/macrófagos

são ativados para destruir as células tumorais, os granulócitos ficam ativados de forma a possuírem

uma atividade fagocitária aumentada, rompem a bolsa respiratória e surge a desgranulação e a

aderência ao endotélio. Para além disto, adicionalmente aos efeitos diretos, a tasonermina modula a

resposta imunitária pela indução da produção de citoquinas, bem como a de mediadores de baixo peso

molecular (prostaglandinas e fator de ativação das plaquetas). Determinados sinais de evidência,

sugerem que estas atividades imunomoduladoras são relevantes para os efeitos antitumorais, por

exemplo, as atividades antitumorais da tasonermina são muito menos pronunciadas em animais

imunodeficientes. Adicionalmente, os animais que rejeitam tumores experimentais, após o tratamento

com a tasonermina podem desenvolver imunidade específica para este tipo de células tumorais.

Efeitos farmacodinâmicos

Foi demonstrado que a tasonermina é ativa no ensaio clássico do fator de necrose tumoral, produzindo

necrose hemorrágica nos nódulos tumorais em tumores murinos singénicos e em tumores humanos

xenogénicos, após a injeção local ou sistémica.

A aplicação sistémica da tasonermina é limitada pelos seus efeitos tóxicos, a dose eficaz previsível a

partir dos resultados dos ensaios pré-clínicos é substancialmente mais elevada do que a dose máxima

tolerada pelo ser humano.

Eficácia clínica

Foi demonstrado que a aplicação local regional do Beromun, conjuntamente com o melfalan, mostrou

ser altamente eficaz no sarcoma dos tecidos moles dos membros. No entanto, o tratamento é

especificamente um tratamento local regional e não é esperado que influencie a sobrevivência. Uma

análise comparativa de sobrevivência de doentes tratados com Beromun e melfalan ILP quando

comparado com um grupo controle histórico não mostrou diferenças de sobrevida (p=0,5).

5.2

Propriedades farmacocinéticas

Farmacocinética sistémica

As informações sobre a farmacocinética sistémica da tasonermina são escassas. Foi observada uma

dependência da dose o que foi indicado por uma diminuição da depuração e um aumento da semivida

com doses aumentadas. A semivida terminal na dose máxima tolerada intravenosa (150

g/m2) foi de

15-30 minutos.

Farmacocinética da ILP

A ILP permite a administração no membro de concentrações elevadas e francamente estáveis de

tasonermina. Os dados obtidos em 51 doentes de ILP demonstraram que as concentrações máximas de

tasonermina no circuito de perfusão são atingidas 30 minutos após o início do ILP e alcançam entre

3.000 e 4.000 ng/ml. Sob condições de menos de 2% de fuga sistémica (observadas em 38 dos

51 doentes), as concentrações sistémicas máximas em circulação de tasonermina foram atingidas

5 minutos após o início do ILP e são aproximadamente 200 vezes menores do que no circuito de

perfusão. Sob condições superiores a 2% de fuga sistémica (observadas em 13 dos 51 doentes), as

concentrações sistémicas máximas de tasonermina foram ainda pelo menos dez vezes menores do que

no circuito de perfusão.

5.3

Dados de segurança pré-clínica

O perfil toxicológico da tasonermina tem sido investigado em estudos pré-clínicos utilizando ratinhos,

ratos, coelhos, cães e macacos. Os principais efeitos adversos observados na administração repetida

de tasonermina são alterações hematológicas e circulatórias, diminuição do bem-estar e do ganho de

peso, bem como alterações da função hepática e renal. As alterações hematológicas incluem anemia,

aumento do hematócrito e aumento ou diminuição dos leucócitos e das plaquetas dependendo das

espécies e da duração do tratamento. As alterações circulatórias incluem diminuição da pressão

sanguínea e, em alguns estudos, aumento do ritmo cardíaco e diminuição da contractilidade. A

capacidade de síntese do fígado é diminuída, o que é indicado pelo aumento das enzimas hepáticas. A

alteração da função renal inclui o aumento da excreção de água e sódio, bem como aumento da ureia e

creatinina. Não pode ser estabelecido nenhum valor NETNO (nível de efeitos tóxicos não observado),

para os estudos pré-clínicos com a exceção de uma administração durante 7 dias de 0,1

g/kg, no

macaco. As alterações observadas nos estudos de 13 semanas de baixa dosagem podem ser

classificadas como mínimas e completamente reversíveis.

A tasonermina não atravessa de forma significativa a barreira hemato-encefálica intacta no murganho.

A radiografia panorâmica do macaco Rhesus, a seguir à administração da tasonermina radioativa, não

indica nenhum padrão de distribuição específico. A tasonermina não atravessou a placenta nem

penetrou dentro do tumor necrosado. Os estudos farmacocinéticos realizados no macaco Rhesus, após

injeção intravenosa de tasonermina, indicam uma via de excreção por filtração glomerular renal, não

específica e não saturável. Parece provável a existência de um segundo mecanismo de eliminação

específico e saturável envolvendo os recetores de tasonermina.

Não foram encontradas evidências de qualquer efeito mutagénico, quer

in vivo

quer

in vitro

. Não

foram executados estudos de toxicidade reprodutiva ou carcinogenicidade, devido a estes testes serem

inapropriados ao uso clínico pretendido para o Beromun no tratamento do sarcoma dos tecidos moles

em ILP.

No sentido de abranger todos os usos clínicos de Beromun, foram executadas experiências com o

procedimento ILP, na parte posterior da perna de ratos saudáveis, utilizando diferentes doses da

mesma concentração de tasonermina, tal como nas situações clínicas em seres humanos. Com a

exceção de um ligeiro agravamento dos efeitos isquémicos, nas doses mais elevadas, o exame

histológico padrão da pele, músculo, osso, nervos e vasos, não revelou a existência de diferenças nos

dados recolhidos, entre os animais tratados com a tasonermina e os do grupo de controlo. Não se

observaram efeitos prejudiciais tardios com a tasonermina.

6.

INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1

Lista dos excipientes

Fosfato monossódico di-hidratado

Fosfato dissódico dodeca-hidratado

Albumina sérica humana.

6.2

Incompatibilidades

Na ILP, não são conhecidas incompatibilidades com outros constituintes do perfusado, com

hipertermia ou com a membrana do oxigenador e o tubo de silicone. Amostras de perfusado de

diversos procedimentos ILP demonstraram níveis de patamar da tasonermina (avaliados por ELISA)

até 100 minutos após o início da perfusão, sem declínio atribuível à degradação.

Por favor veja o Resumo das Características do Medicamento do melfalano para detalhes sobre

incompatibilidades com o melfalan.

6.3

Prazo de validade

3 anos

Solução reconstituída

A estabilidade química e física durante a utilização foi demonstrada até 48 horas a 25ºC.

Do ponto de vista microbiológico, o produto deve ser utilizado imediatamente. Se não for utilizado

imediatamente, a duração do armazenamento durante a utilização e as condições anteriores à

utilização são da responsabilidade do utilizador e normalmente não seriam superiores a 24 horas a

temperaturas entre 2 e 8ºC, a não ser que a reconstituição fosse realizada sob condições assépticas

controladas e validadas.

6.4

Precauções especiais de conservação

Conservar no frigorífico (2°C - 8°C).

Condições de conservação do medicamento após reconstituição, ver secção 6.3.

6.5

Natureza e conteúdo do recipiente

Frasco para injetáveis contendo o pó

Frasco para injetáveis de vidro tipo I com uma rolha de borracha de clorobutil e selado com cápsula

de alumínio tipo “flip-off” (cápsula de fecho de abertura fácil).

Cada embalagem contém 4 frascos para injetáveis.

6.6

Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Instruções para a reconstituição

O conteúdo de um frasco para injetáveis de Beromun pó deve ser reconstituído com 5,3 ml de solução

injetável estéril de cloreto de sódio a 0,9%. Obtém-se uma solução homogénea agitando suavemente.

A solução reconstituída do produto deve ser alvo de inspeção visual para deteção de partículas

estranhas, antes da administração. A solução apresenta-se límpida transparente ou com luminosidade

amarela.

A formulação não contém qualquer conservante e é apenas para utilização única. Uma vez aberto, o

conteúdo do frasco para injetáveis deve normalmente ser utilizado imediatamente (ver secção 6.3).

Para instruções sobre a administração, ver secção 4.2.

Eliminação

Qualquer medicamento não utilizado ou resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências

locais.

7.

TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

BELPHARMA s.a.

2, Rue Albert 1er

L-1117 Luxemburgo

Grão‑Ducado do Luxemburgo

8.

NÚMERO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/99/097/001

9.

DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE

INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 13 de abril de 1999

Data da última renovação: 13 de abril de 2009

10.

DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência

Europeia de Medicamentos http://www.ema.europa.eu

Leia o documento completo

European Medicines Agency

7 Westferry Circus, Canary Wharf, London E14 4HB, UK

Tel. (44-20) 74 18 84 00 Fax (44-20) 74 18 84 16

E-mail: mail@emea.europa.eu http://www.emea.europa.eu

European Medicines Agency, 2009. Reproduction is authorised provided the source is acknowledged.

EMEA/H/C/206

RELATÓRIO PÚBLICO EUROPEU DE AVALIAÇÃO (EPAR)

BEROMUN

Resumo do EPAR destinado ao público

Este documento é um resumo do Relatório Público Europeu de Avaliação (EPAR). O seu

objectivo é explicar o modo como o Comité dos Medicamentos para Uso Humano (CHMP)

avaliou os estudos realizados, a fim de emitir recomendações sobre as condições de utilização do

medicamento.

Se necessitar de informação adicional sobre a sua doença ou o tratamento, leia o Folheto

Informativo (também parte do EPAR) ou contacte o seu médico ou farmacêutico. Se quiser obter

mais informação sobre os fundamentos das recomendações do CHMP, leia a Discussão

Científica (também parte do EPAR).

O que é o Beromun?

O Beromun é um medicamento disponível na forma de pó e solvente para preparação de uma solução

para perfusão. Contém a substância activa tasonermina.

Para que é utilizado o Beromun?

O Beromun é utilizado em doentes com sarcoma dos tecidos moles (um tipo de cancro) dos membros

(braço ou perna) em associação com melfalan (um medicamento anticanceroso), utilizando uma

técnica denominada “perfusão isolada” (ILP), em que ambos os medicamentos são injectados no

membro enquanto a circulação sanguínea nesse membro é mantida isolada da do resto do corpo. Pode

ser utilizado antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor ou na substituição da cirurgia nos

casos em que o tumor não pode ser removido unicamente por cirurgia.

O medicamento só pode ser obtido mediante receita médica.

Como se utiliza o Beromun?

O trata

mento com Beromun deve ser executado apenas em centros especializados e por equipas de

cirurgiões com experiência no tratamento deste tipo de cancros e no procedimento ILP. Estes centros

devem dispor de uma unidade de cuidados intensivos de rápido acesso e condições de monitorização

contínua, com marcadores radioactivos, de uma possível fuga do medicamento para a circulação do

resto do corpo.

Antes da administração do Beromun, o membro deve ser isolado através do seguinte procedimento:

enquanto o doente está sob anestesia geral, uma banda apertada é aplicada em volta da parte superior

do membro para isolar a circulação de sangue e para evitar que o medicamento chegue ao resto do

corpo. A circulação de sangue no membro é então substituída pela “perfusão” de um líquido especial e

o membro é aquecido a uma temperatura entre 38 e 39°C. O Beromun é então injectado na solução de

perfusão numa dose de 3 mg para um braço e de 4 mg para uma perna, administrada ao longo de 90

minutos. O melfalan é administrado durante a mesma intervenção ao longo de 60 minutos, devendo

ser iniciado 30 minutos após o início da perfusão com o Beromun, altura em que a temperatura deve

ser aumentada para 39 a 40°C. A dose do melfalan depende do tamanho do braço ou da perna. No

final do procedimento de 90 minutos, o membro é lavado, com um líquido adequado, para remover

completamente os dois medicamentos. Sempre que possível, o tumor remanescente deve ser removido,

normalmente após várias semanas.

Normalmente, o Beromun é utilizado apenas uma vez, mas pode ser considerada uma segunda

perfusão seis a oito semanas após a primeira. O Beromun não é recomendado para utilização em

crianças com idade inferior a 18 anos devido à ausência de dados de segurança e eficácia neste grupo.

Como funciona o Beromun?

A substância activa presente no Beromun, a tasonermina, é uma cópia da proteína humana factor de

necrose tumoral alfa-1a (TNFα). Não está completamente compreendida a forma exacta como o TNFα

actua contra alguns tipos de cancro, mas pensa-se que pode matar as células tumorais directamente,

para além de destruir os vasos sanguíneos que fornecem os nutrientes aos tumores e estimular o

sistema imunitário no sentido de atacar os tumores. Esta acção conduz à regressão e à diminuição do

tamanho do tumor, especialmente quando o medicamento é associado a outros medicamentos

citotóxicos (que matam as células) e à temperatura aumentada.

A substância activa presente no Beromun, a tasonermina, é produzida por um método conhecido como

“tecnologia do ADN recombinante”, ou seja, é produzida por uma bactéria que recebeu um gene

(ADN) que a torna capaz de produzir o TNFα O TNFα de substituição actua da mesma forma que a

proteína produzida naturalmente.

Como foi estudado o Beromun?

O Bero

mun foi estudado em quatro estudos principais em que foi administrado em associação com

melfalan, que incluíram um total de 188 doentes. Sessenta e dois destes doentes receberam igualmente

interferão-gama (outro medicamento anticanceroso). Uma avaliação destes estudos por três peritos

independentes concluiu que apenas 145 destes doentes eram candidatos a amputação ou remoção

cirúrgica do tumor que teria conduzido a uma perda significativa da função (incapacidade). Por esse

motivo, o principal parâmetro de eficácia baseou-se na avaliação, por parte dos peritos, dos resultados

nestes 145 doentes, comparativamente aos resultados que seriam esperados sem a utilização do

Beromun.

Qual o benefício demonstrado pelo Beromun durante os estudos?

Os peritos independentes concordara

m que 62% dos doentes que receberam o Beromun e melfalan (90

doentes de um total de 145) tiveram melhores resultados do que o previsto, uma vez que o seu

membro foi salvo sem o recurso a cirurgia para remover o tumor ou o seu tumor foi removido sem

uma perda significativa da capacidade funcional. O número de doentes que receberam igualmente

tratamento com interferão-gama foi insuficiente para determinar se este tratamento contribui para

melhorar mais ainda o resultado dos doentes.

Qual é o risco associado ao Beromun?

maioria dos doentes tratados com o Beromun ocorre febre, geralmente ligeira a moderada. Outros

efeitos secundários observados muito frequentemente (em mais de 1 em cada 10 doentes) são infecção,

arritmia cardíaca (ritmo cardíaco instável), náuseas (indisposição), vómitos, danos no fígado, fadiga

(cansaço), arrepios, dores no membro, lesões dos nervos, reacções cutâneas (a nível da pele), edema

(inchaço) e infecção de feridas. Alguns dos efeitos secundários observados com o Beromun são graves

e podem exigir a permanência do doente numa unidade de cuidados intensivos após o tratamento. Para

uma lista mais completa dos efeitos secundários comunicados relativamente ao Beromun, consulte o

Folheto Informativo.

O Beromun não deve ser utilizado em pessoas que possam ser hipersensíveis (alérgicas) à tasonermina

ou a qualquer outro componentes do medicamento.

Não deve ser utilizado em doentes com doença

cardiovascular (do coração e dos vasos sanguíneos) significativa, doença grave dos pulmões, uma

úlcera de estômago recente ou activa, ascite grave (acumulação de fluidos no abdómen), doenças do

sangue, doenças dos rins ou do fígado ou hipercalcemia (níveis elevados de cálcio no sangue) ou em

mulheres grávidas ou a amamentar. Não deve igualmente ser utilizado em doentes que não possam

receber vasoconstritores (medicamentos utilizados para aumentar a pressão arterial), anticoagulantes

(medicamentos utilizados para evitar a coagulação do sangue) ou medicamentos que possam ser

prejudiciais para o coração. O Beromun não deve ser utilizado em doentes que não possam receber

melfalan ou que não possam ser submetidos a ILP. Para a lista completa das restrições, consulte o

Resumo das Características do Medicamento (também parte do EPAR).

Por que foi aprovado o Beromun?

O Comité dos Medicamentos para Uso Humano (CHMP) concluiu que os benefícios do Beromun são

superiores aos seus riscos como adjuvante da cirurgia para a remoção subsequente do tumor, para

modo a prevenir ou retardar a amputação, ou como tratamento paliativo em sarcomas dos tecidos

moles irresecáveis dos membros, em associação com melfalan, através de perfusão hipotérmica

moderada isolada do membro (ILP). O Comité recomendou a concessão de uma autorização de

introdução no mercado para o Beromun.

Outras informações sobre o Beromun

13 de Abril de 1999, a Comissão Europeia concedeu à Boehringer Ingelheim International GmbH

uma Autorização de Introdução no Mercado, válida para toda a União Europeia, para o medicamento

Beromun. A Autorização de Introdução no Mercado foi renovada em 13 de Abril de 2004 e em 13 de

Abril de 2009.

O EPAR completo sobre o Beromun pode ser consultado aqui

Este resumo foi actualizado pela última vez em 04-2009.

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