Elaprase

União Europeia - português - EMA (European Medicines Agency)

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Ingredientes ativos:
idursulfase
Disponível em:
Shire Human Genetic Therapies AB
Código ATC:
A16AB09
DCI (Denominação Comum Internacional):
idursulfase
Grupo terapêutico:
Outro aparelho digestivo e metabolismo produtos,
Área terapêutica:
Mucopolissacaridose II
Indicações terapêuticas:
Elaprase é indicado para o tratamento a longo prazo de pacientes com síndrome de Hunter (mucopolisacaridose II, MPS II). As fêmeas heterossegóticas não foram estudadas nos ensaios clínicos.
Resumo do produto:
Revision: 20
Status de autorização:
Autorizado
Número de autorização:
EMEA/H/C/000700
Data de autorização:
2007-01-08
Código EMEA:
EMEA/H/C/000700

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B. FOLHETO INFORMATIVO

Folheto informativo: Informação para o utilizador

Elaprase 2 mg/ml concentrado para solução para perfusão

idursulfase

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de

nova informação de segurança. Poderá ajudar, comunicando quaisquer efeitos indesejáveis que tenha.

Para saber como comunicar efeitos indesejáveis, veja o final da secção 4.

Leia com atenção todo este folheto antes de começar a utilizar este medicamento, pois contém

informação importante para si.

Conserve este folheto. Pode ter necessidade de o ler novamente.

Caso ainda tenha dúvidas, fale com o seu médico, farmacêutico ou enfermeiro.

Este medicamento foi receitado apenas para si. Não deve dá-lo a outros. O medicamento pode

ser-lhes prejudicial mesmo que apresentem os mesmos sinais de doença.

Se tiver quaisquer efeitos indesejáveis, incluindo possíveis efeitos indesejáveis não indicados

neste folheto, fale com o seu médico, farmacêutico ou enfermeiro. Ver secção 4.

O que contém este folheto:

O que é Elaprase e para que é utilizado

O que precisa de saber antes de utilizar Elaprase

Como utilizar Elaprase

Efeitos indesejáveis possíveis

Como conservar Elaprase

Conteúdo da embalagem e outras informações

1.

O que é Elaprase e para que é utilizado

Elaprase é utilizado como terapêutica enzimática de substituição no tratamento de crianças e adultos

com síndrome de Hunter (Mucopolissacaridose II) quando o nível da enzima de iduronato-2-sulfatase

no corpo é inferior ao normal, ajudando a melhorar os sintomas da doença. Se sofrer da síndrome de

Hunter, um hidrato de carbono, chamado glicosaminoglicano que é normalmente degradado pelo

corpo, não o é e acumula-se lentamente nas diversas células do corpo. Isto impede as células de

funcionar normalmente, causando por isso problemas a diversos órgãos do seu corpo, o que pode levar

à destruição de tecidos e mau funcionamento e falência de órgãos. Os órgãos típicos onde o

glicosaminoglicanose acumula são baço, fígado, pulmões, coração e tecido conectivo. Em alguns

doentes, o glicosaminoglicano também se acumula no cérebro. Elaprase contém uma substância ativa

chamada idursulfase que funciona ao atuar como um substituto dessa enzima que está a um nível baixo,

degradando assim esse hidrato de carbono nas células afetadas.

A terapêutica de substituição enzimática é administrada normalmente como um tratamento a longo

prazo.

2.

O que precisa de saber antes de utilizar Elaprase

Não utilize Elaprase

se tiver reações alérgicas graves ou potencialmente fatais à idursulfase ou a qualquer outro

componente deste medicamento (indicados na secção 6) e estas não poderem ser controladas com um

tratamento médico adequado.

Advertências e precauções

Fale com o seu médico ou enfermeiro antes de utilizar este medicamento

Se está a ser tratado com Elaprase, pode sentir efeitos indesejável durante ou após uma perfusão (ver

secção 4 “Efeitos indesejáveis possíveis”). Os sintomas mais comuns são comichão, erupção na pele,

urticária, febre, dor de cabeça, aumento da tensão arterial e afrontamento (vermelhidão). Na maioria

das vezes ainda pode ser tratado com este medicamento mesmo que ocorram estes sintomas. Informe o

seu médico imediatamente se sentir algum efeito secundário alérgico após a administração deste

medicamento. Pode ser necessário tomar outros medicamentos, como anti-histamínicos e

corticosteroides, para tratar ou ajudar a prevenir reações de tipo alérgico.

Caso ocorram reações alérgicas graves, o seu médico interromperá imediatamente a perfusão e iniciará

um tratamento apropriado. Pode necessitar de ficar internado no hospital.

A natureza do seu genótipo (um composto genético de todos os genes ativos nas células humanas, que

determinam as características individuais e específicas de cada pessoa) pode influenciar a sua resposta

terapêutica a este medicamento, assim como o seu risco de desenvolver anticorpos e efeitos

indesejáveis relacionados com a perfusão. Em casos individuais, os chamados “anticorpos

neutralizantes” podem desenvolver-se, o que pode diminuir a atividade do Elaprase e a sua resposta ao

tratamento. Os efeitos a longo prazo do desenvolvimento de anticorpos na resposta ao tratamento não

foram estabelecidos. Consulte o seu médico para mais informações.

Manter um registo

De modo a melhorar a rastreabilidade dos medicamentos biológicos, o nome e o número de lote do

medicamento administrado devem ser registados de forma clara pelo seu profissional de saúde. Fale

com o seu profissional de saúde se tiver dúvidas.

Outros medicamentos e Elaprase

Não há interações conhecidas deste medicamento com outros medicamentos.

Informe o seu médico, farmacêutico ou enfermeiro se estiver a tomar, tiver tomado recentemente, ou

se vier a tomar outros medicamentos.

Gravidez e amamentação

Se está grávida ou a amamentar, se pensa estar grávida ou planeia engravidar, consulte o seu médico

ou farmacêutico antes de tomar este medicamento.

Condução de veículos e utilização de máquinas

Os efeitos deste medicamento sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são nulos ou

desprezáveis.

Elaprase contém sódio

Este medicamento contém 11,1 mg de sódio (principal componente do sal de cozinha/mesa) em cada

frasco para injetáveis. Isto é equivalente a 0,6% da ingestão diária máxima de sódio recomendada para

um adulto.

3.

Como utilizar Elaprase

Utilize este medicamento exatamente como indicado pelo seu médico. Fale com o seu médico se tiver

dúvidas.

Este medicamento ser-lhe-á administrado sob supervisão de um médico ou de um enfermeiro que

tenha experiência no tratamento da síndrome de Hunter ou de outras doenças metabólicas hereditárias.

A dose recomendada consiste na perfusão de 0,5 mg (meio miligrama) por cada quilo do seu peso.

Elaprase tem de ser diluído numa solução de cloreto de sódio a 9 mg/ml (0,9%) para perfusão antes de

ser utilizado. Após a diluição, este medicamento é-lhe administrado por uma veia (gota-a-gota). A

perfusão dura normalmente 1 a 3 horas e é-lhe efetuada todas as semanas.

Utilização em crianças e adolescentes

A dose recomendada em crianças e adolescentes é a mesma dos adultos.

Se utilizar mais Elaprase do que deveria

Em caso de sobredosagem deste medicamento, consulte o seu médico.

Caso se tenha esquecido de utilizar Elaprase

Fale com o seu médico caso falte a uma perfusão com Elaprase.

Caso ainda tenha dúvidas sobre a utilização deste medicamento, fale com o seu médico ou enfermeiro.

4.

Efeitos indesejáveis possíveis

Como todos os medicamentos, este medicamento pode causar efeitos indesejáveis, embora estes não se

manifestem em todas as pessoas.

A maioria dos efeitos indesejáveis é ligeira a moderada e está associada à perfusão; contudo, alguns

efeitos indesejáveis podem ser graves. O número destas reações associadas à perfusão diminui ao

longo do tempo.

Se tiver dificuldade em respirar

, quer tenha a pele azulada ou não,

informe imediatamente o seu

médico e procure assistência médica de imediato.

Os efeitos indesejáveis muito frequentes (podem afetar mais de 1 em 10 pessoas) são:

Dor de cabeça

Afrontamentos (vermelhidão)

Falta de ar, pieira

Dor abdominal (na barriga), náuseas, vómitos, diarreia frequente

Dor no peito

Urticária, erupção na pele, comichão, vermelhidão da pele

Febre

Reação relacionada com a perfusão (ver secção intitulada “Advertências e precauções”)

Os efeitos indesejáveis frequentes (podem afetar até 1 em 10 pessoas) são:

Tonturas, tremor

Ritmo cardíaco rápido, ritmo cardíaco irregular, pele azulada

Aumento da tensão arterial, diminuição da tensão arterial

Dificuldade em respirar, tosse, níveis baixos de oxigénio no sangue

Língua inchada, indigestão

Dores nas articulações

Inchaço no local de perfusão, inchaço das extremidades, face inchada

Efeitos indesejáveis pouco frequentes (podem afetar até 1 em 100 pessoas) são:

Respiração acelerada

Os efeitos indesejáveis, cuja frequência é desconhecida (não pode ser calculada a partir dos dados

disponíveis) são:

Reações alérgicas graves

Comunicação de efeitos indesejáveis

Se tiver quaisquer efeitos indesejáveis, incluindo possíveis efeitos indesejáveis não indicados neste

folheto, fale com o seu médico, farmacêutico ou enfermeiro. Também poderá comunicar efeitos

indesejáveis diretamente através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V. Ao

comunicar efeitos indesejáveis, estará a ajudar a fornecer mais informações sobre a segurança deste

medicamento.

5.

Como conservar Elaprase

Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças.

Não utilize este medicamento após o prazo de validade impresso no rótulo e na embalagem exterior,

após VAL. O prazo de validade corresponde ao último dia do mês indicado.

Conservar no frigorífico (2°C – 8°C).

Não congelar.

Não utilize este medicamento se verificar que há descoloração ou presença de partículas estranhas.

Não deite fora quaisquer medicamentos na canalização ou no lixo doméstico. Pergunte ao seu

farmacêutico como deitar fora os medicamentos que já não utiliza. Estas medidas ajudarão a proteger

o ambiente.

6.

Conteúdo da embalagem e outras informações

Qual a composição de Elaprase

A substância ativa é idursulfase, uma forma da enzima humana iduronato-2-sulfatase. A idursulfase é

produzida por tecnologia de engenharia genética numa linha celular humana (envolve a introdução de

informação genética em células humanas no laboratório, a fim de produzir o produto desejado).

Cada frasco para injetáveis de Elaprase contém 6 mg de idursulfase. Cada ml contém 2 mg de

idursulfase.

Os outros componentes são polissorbato 20, cloreto de sódio, fosfato de sódio dibásico, hepta-

hidratado, fosfato de sódio monobásico, mono-hidratado e água para injetáveis.

Qual o aspeto de Elaprase e conteúdo da embalagem

Este medicamento é um concentrado para solução para perfusão. É fornecido num frasco para

injetáveis de vidro, sob a forma de uma solução límpida a ligeiramente opalescente e incolor.

Cada frasco para injetáveis contém 3 ml de concentrado para solução para perfusão.

Elaprase é fornecido em apresentações de 1, 4 e 10 frascos para injetáveis por embalagem exterior. É

possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

Titular da Autorização de Introdução no Mercado

Shire Human Genetic Therapies AB

Vasagatan 7

111 20 Stockholm

Suécia

Tel: +44(0)1256 894 959

E-mail:

medinfoEMEA@shire.com

Fabricante

Shire Pharmaceuticals Ireland Limited

Block 2 & 3 Miesian Plaza

50 – 58 Baggot Street Lower

Dublin 2

Irlanda

Este folheto foi revisto pela última vez em .

Foi concedida a este medicamento uma “Autorização de Introdução no Mercado em circunstâncias

excecionais”. Isto significa que não foi possível obter informação completa sobre este medicamento

devido à raridade desta doença.

A Agência Europeia de Medicamentos irá rever, pelo menos uma vez por ano, qualquer nova

informação sobre este medicamento e este folheto será atualizado se necessário.

Outras fontes de informação

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência

Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu. Também existem links para outros sítios da

internet sobre doenças raras e tratamentos.

Este folheto está disponível em todas as línguas da UE/EEE no sítio da internet da Agência Europeia

de Medicamentos.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A informação que se segue destina-se apenas aos profissionais de saúde:

Instruções de utilização, manuseamento e eliminação

Calcular a dose total a administrar e o número necessário de frascos para injetáveis de Elaprase

Diluir o volume total de Elaprase concentrado para solução para perfusão necessário em 100 ml

de uma solução de cloreto de sódio a 9 mg/ml (0,9%) para perfusão. É recomendada a

administração do volume total da perfusão utilizando um filtro em linha de 0,2 µm. Deverá ter

precaução de forma a assegurar a esterilidade das soluções preparadas, pois Elaprase não

contém qualquer conservante ou agente bacteriostático; é necessário seguir técnicas asséticas.

Uma vez diluída, a solução deve ser misturada com cuidado e sem agitar.

Deve inspecionar-se visualmente a solução para verificar a presença de eventuais partículas e

descolorações antes da administração. Não agitar.

A administração deve ter início logo que possível. Está demonstrada a estabilidade química e

física da solução diluída por um período de 8 horas a 25ºC.

Não realizar a perfusão concomitante de Elaprase, na mesma linha intravenosa, com outros

medicamentos.

Para utilização única. Os produtos não utilizados ou os resíduos devem ser eliminados de acordo

com as exigências locais.

Leia o documento completo

ANEXO I

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de

nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas

de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção 4.8.

1.

NOME DO MEDICAMENTO

Elaprase 2 mg/ml concentrado para solução para perfusão

2.

COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada frasco para injetáveis contém 6 mg de idursulfase. Cada ml contém 2 mg de idursulfase*.

Excipiente com efeito conhecido:

Cada frasco para injetáveis contém 0,482 mmol de sódio.

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

* produzida por tecnologia de ADN recombinante numa linha celular humana contínua.

3.

FORMA FARMACÊUTICA

Concentrado para solução para perfusão (concentrado estéril).

Solução límpida a ligeiramente opalescente e incolor.

4.

INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1

Indicações terapêuticas

Elaprase está indicado para o tratamento de longa duração de doentes com síndrome de Hunter

(Mucopolissacaridose II, MPS II).

Não foram estudadas nos ensaios clínicos mulheres heterozigóticas.

4.2

Posologia e modo de administração

Este tratamento com Elaprase deve ser supervisionado por um médico ou por outro profissional de

saúde com experiência no controlo de doentes com a patologia MPS II ou com outras doenças

hereditárias do metabolismo.

Posologia

Elaprase é administrado numa dosagem de 0,5 mg/kg de peso corporal, todas as semanas, por perfusão

intravenosa durante um período de 3 horas, que pode ser gradualmente reduzido para 1 hora se não

forem observadas reações associadas à perfusão (ver secção 4.4).

Para instruções de utilização, ver secção 6.6.

A perfusão em casa pode ser considerada para doentes que tenham feito vários meses de tratamento

numa clínica e estejam a tolerar bem as perfusões. As perfusões no domicílio devem ser realizadas sob

a vigilância de um médico ou de outro profissional de saúde.

Populações especiais

Doentes idosos

Não existe experiência clínica em doentes com mais de 65 anos de idade.

Doentes com compromisso renal ou hepático

Não existe experiência clínica em doentes com compromisso renal ou hepático (ver secção 5.2).

População pediátrica

A dosagem para crianças e adolescentes é igual à dos adultos, 0,5 mg/kg de peso corporal por semana.

Modo de administração

Para instruções acerca da diluição do medicamento antes da administração, ver a secção 6.6.

4.3

Contraindicações

Hipersensibilidade grave ou potencialmente fatal à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes

mencionados na secção 6.1, se a hipersensibilidade não for controlável.

4.4

Advertências e precauções especiais de utilização

Reações relacionadas com a perfusão

Os doentes tratados com idursulfase podem manifestar reações relacionadas com a perfusão (ver

secção 4.8). Durante os ensaios clínicos, a maioria das reações relacionadas com a perfusão incluiu

reações cutâneas (exantema, prurido, urticária), pirexia, cefaleia, hipertensão e afrontamentos. As

reações relacionadas com a perfusão foram tratadas ou atenuadas retardando a velocidade de perfusão,

interrompendo a perfusão ou administrando medicamentos como anti-histamínicos, antipiréticos,

corticosteroides de baixa dosagem (prednisona e metilprednisolona) ou pela nebulização de

beta-agonistas. Nenhum doente interrompeu o tratamento devido a reações à perfusão durante os

estudos clínicos.

Deve ter-se especial cuidado quando se administra uma perfusão a doentes com patologias subjacentes

graves das vias respiratórias. Estes doentes devem ser vigiados com cuidado e a perfusão realizada em

ambiente clínico apropriado. Deve ter-se precaução no cuidado e tratamento destes doentes através da

limitação ou vigilância atenta a anti-histamínicos e outros medicamentos sedativos utilizados. Nalguns

casos, pode ser necessário instituir pressão positiva nas vias respiratórias.

O adiamento da perfusão em doentes que apresentem patologias respiratórias febris agudas deve ser

considerado. Este tratamento deve estar imediatamente disponível durante a perfusão em doentes com

suplementação de oxigénio, para a eventualidade da ocorrência de reações relacionadas com a

perfusão.

Reações anafilactóides/anafiláticas

Foram observadas noutros doentes tratados com idursulfase, até vários anos após o início do

tratamento, reações anafilactóides/anafiláticas, que poderão ser potencialmente fatais. Foram

observados sintomas e sinais de surgimento tardios, mesmo decorridas 24 horas sobre a reação inicial.

Se ocorrer uma reação anafilactóide/anafilática, a perfusão deve ser imediatamente suspensa e deve

iniciar-se a observação e o tratamento adequados. Devem seguir-se os padrões médicos atuais para o

tratamento de emergência. Os doentes que sofram reações anafilactóides/anafiláticas graves ou

refratárias podem requerer monitorização clínica prolongada. Os doentes que tenham sofrido reações

anafilactóides/anafiláticas devem ser tratados com cautela quando se readministrar idursulfase. Deve

estar disponível pessoal devidamente treinado e equipamento para uma reanimação de emergência

(incluindo epinefrina) durante a perfusão. Hipersensibilidade grave ou potencialmente fatal é uma

contraindicação para a reintrodução, se a hipersensibilidade não estiver controlada (ver secção 4.3).

Doentes com o genótipo de deleção total/grande rearranjo

Os doentes pediátricos com o genótipo de deleção total/grande rearranjo têm uma probabilidade

elevada de desenvolver anticorpos, incluindo anticorpos neutralizantes, como resposta à exposição ao

idursulfase. Os doentes com este genótipo têm uma maior probabilidade de desenvolver

acontecimentos adversos relacionados com a perfusão e tendem a demonstrar uma resposta ligeira

como avaliado pela redução no débito urinário de glicosaminoglicanos e no tamanho do fígado e do

volume do baço, comparativamente aos doentes com o genótipo

missense

. O tratamento dos doentes

deve ser determinado caso a caso (ver secção 4.8).

Sódio

Este medicamento contém 0,482 mmol (ou 11,1 mg) de sódio por frasco para injetáveis. Isto é

equivalente a 0,6% da ingestão diária máxima de 2 g de sódio recomendada pela OMS para um adulto.

Rastreabilidade

De modo a melhorar a rastreabilidade dos medicamentos biológicos, o nome e o número de lote do

medicamento administrado devem ser registados de forma clara.

4.5

Interações medicamentosas e outras formas de interação

Não foram realizados estudos formais de interação medicamentosa com idursulfase.

Visto que o seu metabolismo se dá nos lisossomas celulares, a idursulfase não deverá sofrer interações

mediadas pelo citocromo P450.

4.6

Fertilidade, gravidez e aleitamento

Gravidez

A quantidade de dados sobre a utilização de idursulfase em mulheres grávidas é limitada ou

inexistente. Os estudos em animais não indicam efeitos nefastos diretos ou indiretos no que respeita à

toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Como medida de precaução, é preferível evitar a utilização de

idursulfase durante a gravidez.

Amamentação

Desconhece-se se a idursulfase é excretada no leite humano. Os dados disponíveis em animais

mostraram excreção da idursulfase no leite (ver secção 5.3). Não pode ser excluído qualquer risco para

os recém-nascidos/lactentes. Tem que ser tomada uma decisão sobre a descontinuação da

amamentação ou a descontinuação/abstenção da terapêutica com idursulfase tendo em conta o

benefício da amamentação para a criança e o benefício da terapêutica para a mulher.

Fertilidade

Não foram observados efeitos sobre a fertilidade masculina em estudos reprodutivos realizados em

ratos do sexo masculino.

4.7

Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos de idursulfase sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são nulos ou desprezáveis.

4.8

Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

As reações adversas notificadas nos 32 doentes tratados com 0,5 mg/kg de idursulfase, com

administração semanal, no estudo TKT024 de fase II/III, controlado por placebo, de 52 semanas de

duração, foram quase todas de gravidade ligeira a moderada. As mais comuns foram reações

relacionadas com a perfusão, 202 das quais foram notificadas em 22 dos 32 doentes após a

administração de um total de 1580 perfusões. No grupo de tratamento com placebo, foram notificadas

128 reações relacionadas com a perfusão em 21 dos 32 doentes após a administração de um total de

1612 perfusões. Visto que pode ter ocorrido mais de uma reação relacionada com a perfusão durante

qualquer uma das perfusões, os valores acima indicados sobrestimam provavelmente a verdadeira

incidência de reações à perfusão. As reações relacionadas no grupo placebo foram de natureza e

gravidade similares às observadas no grupo tratado. As mais comuns de entre estas reações

relacionadas com a perfusão incluíram reações cutâneas (erupção cutânea, prurido, urticária e eritema),

pirexia, afrontamentos, pieira, dispneia, cefaleia, vómitos, dor abdominal, náuseas e dor torácica. A

frequência das reações relacionadas com a perfusão diminuiu com o tempo e com a continuação do

tratamento.

Lista de reações adversas em tabela

As reações adversas são indicadas na tabela 1, sendo as informações apresentadas segundo a classe de

sistemas de órgãos e a sua frequência. Os efeitos são classificados como muito frequentes (≥1/10),

frequentes (≥1/100, <1/10) ou pouco frequentes (≥1/1.000, <1/100). A ocorrência de uma reação

adversa num só doente é considerada comum, tendo em conta o número de doentes tratados. As

reações adversas são apresentadas por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de

frequência. As reações adversas ao medicamento notificadas apenas durante o período de pós-

comercialização também estão incluídas na tabela com uma categoria de frequência “desconhecido”

(não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis).

Tabela 1: Reações adversas de ensaios clínicos e experiência no período de pós-comercialização

em doentes tratados com Elaprase.

Classe de sistema

de órgãos

Reação adversa (termo preferido)

Muito frequente

Frequente

Pouco frequente

Desconhecido

Doenças do sistema imunitário

Reação

anafilactóide

/anafilática

Doenças do sistema nervoso

Cefaleia

Tonturas, tremor

Cardiopatias

Cianose, arritmia,

taquicardia

Vasculopatias

Afrontamento

Hipertensão,

Hipotensão

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino

Pieira, dispneia

Hipoxia,

broncoespasmo,

tosse

Taquipneia

Doenças gastrointestinais

Dor abdominal,

náuseas, diarreia,

vómitos

Tumefação da

língua, dispepsia

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos

Urticária, erupção

cutânea, prurido,

eritema

Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos

Artralgia

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Pirexia, dor

torácica

Tumefação no

local de perfusão,

edema facial,

edema periférico

Complicações de intervenções relacionadas com lesões e intoxicações

Reação associada

a infusão

intravenosa

Descrição das reações adversas selecionadas

Nos vários estudos clínicos, foram registadas reações adversas graves em cinco doentes tratados com

0,5 mg/kg por semana ou em semanas alternadas. Quatro doentes sofreram um episódio hipóxico

durante uma ou mais perfusões, tendo sido necessária a administração de terapêutica com oxigénio em

três doentes com patologia obstrutiva das vias respiratórias subjacente grave (2 com traqueostomia

preexistente). O episódio mais grave ocorreu num doente com uma doença respiratória febril e esteve

associada a hipoxia durante a perfusão, resultando numa crise breve. No quarto doente, que sofria de

doença subjacente menos grave, ocorreu resolução espontânea pouco depois de interrompida a

perfusão. Não se verificou recorrência destes acontecimentos com perfusões subsequentes a uma

velocidade de perfusão mais lenta e administração de medicamentos antes da perfusão, normalmente

esteroides de baixa dosagem, anti-histamínicos e nebulização com beta-agonistas. Ao quinto doente,

que manifestava cardiopatia preexistente, diagnosticou-se complexos ventriculares prematuros e

embolia pulmonar durante o estudo.

Existem notificações pós-comercialização de reações anafilactóides/anafiláticas (ver secção 4.4).

Os doentes com o genótipo de deleção completa/grande rearranjo têm uma probabilidade mais elevada

de desenvolver acontecimentos adversos relacionados com a perfusão (ver secção 4.4).

Imunogenicidade

Em 4 estudos clínicos (TKT008, TKT018, TKT024 e TKT024EXT), 53/107 doentes (50%)

desenvolveram, a dada altura, anticorpos IgG anti-idursulfase. A taxa global de anticorpos

neutralizantes foi de 26/107 doentes (24%).

Na análise

post-hoc

de imunogenicidade dos dados dos estudos TKT024/024EXT, 51% (32/63) dos

doentes tratados com 0,5 mg de idursulfase/kg por semana tiveram, pelo menos, 1 amostra de sangue

com resultado positivo a anticorpos anti-idursulfase e 37% (23/63) tiveram resultados positivos a

anticorpos em, pelo menos, 3 consultas consecutivas do estudo. Vinte e um por cento (13/63) tiveram

resultados positives a anticorpos neutralizadores pelo menos uma vez e 13% (8/63) tiveram resultados

positivos a anticorpos neutralizadores em, pelo menos, 3 consultas consecutivas do estudo.

O estudo clínico HGT-ELA-038 avaliou a imunogenicidade em crianças com idades compreendidas

entre os 16 meses e os 7,5 anos. Durante o estudo de 53 semanas, 67,9% (19 de 28) dos doentes

tiveram, pelo menos, uma análise sanguínea com resultado positivo aos anticorpos anti-idursulfase, e

57,1% (16 de 28) tiveram resultados positivos para anticorpos em, pelo menos, três consultas de

estudo consecutivas. Cinquenta e quatro por cento dos doentes tiveram resultados positivos para os

anticorpos neutralizantes pelo menos uma vez e metade dos doentes tiveram resultados positivos para

os anticorpos neutralizantes em, pelo menos, três consultas de estudo consecutivas.

Todos os doentes com o genótipo de deleção total/grande rearranjo desenvolveram anticorpos, e a

maioria (7/8) também teve resultados positivos para os anticorpos neutralizantes em, pelo menos, três

ocasiões consecutivas. Todos os doentes com o genótipo da mutação

frameshift/splice site

desenvolveram anticorpos e 4/6 também tiveram resultados positivos para os anticorpos neutralizantes

em, pelo menos, três consultas de estudo consecutivas. Os doentes com resultados negativos a

anticorpos foram detetados exclusivamente no grupo do genótipo de mutação

missense

(ver

secções 4.4 e 5.1).

População pediátrica

As reações adversas notificadas na população pediátrica foram, em geral, similares às notificadas nos

adultos.

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma

vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos

profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema

nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9

Sobredosagem

Existem informações limitadas relativamente à sobredosagem com Elaprase. Os dados sugerem que

alguns doentes podem sofrer uma reação anafilactóide devido a sobredosagem (ver secções 4.3 e 4.4).

5.

PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1

Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Outros produtos para as vias digestivas e metabolismo – enzimas, código

ATC: A16AB09

.

Mecanismo de ação

A síndrome de Hunter é uma doença associada ao cromossoma X causada por valores insuficientes da

enzima lisossómica iduronato-2-sulfatase. A iduronato-2-sulfatase funciona catabolizando os

glicosaminoglicanos (GAG) sulfato de dermatano e sulfato de heparano, ao clivar os meios sulfato

ligados ao oligossacarídeo. Devido à ausência ou deficiência da enzima iduronato-2-sulfatase nos

doentes com síndroma de Hunter, os glicosaminoglicanos acumulam-se progressivamente nas células,

causando congestão celular, organomegalia, destruição dos tecidos e disfunção dos sistemas de órgãos.

Idursulfase é uma forma purificada da enzima lisossómica iduronato-2-sulfatase, produzida numa

linha celular humana que proporciona um perfil de glicosilação humano, análoga à enzima de

ocorrência selvagem. A idursulfase é segregada sob a forma de glicoproteína de 525 aminoácidos e

contém 8 locais de glicosilação ligados a N que são ocupados por cadeias oligossacarídicas complexas,

híbridas, e com alto teor em manose. A idursulfase possui um peso molecular de cerca de 76 kD.

O tratamento de doentes com síndroma de Hunter com idursulfase por via intravenosa fornece enzima

exógena destinada à captação pelos lisossomas celulares. Os resíduos de manose-6-fosfato (M6P) nas

cadeias oligossacarídicas permitem a ligação específica da enzima a recetores da M6P à superfície

celular, causando a entrada da enzima, o seu direcionamento para lisossomas intracelulares e o

catabolismo subsequente dos GAG acumulados.

Eficácia e segurança clínicas

A segurança e eficácia do Elaprase foram demonstradas em três estudos clínicos: dois estudos clínicos

aleatorizados, controlados por placebo (TKT008 e TKT024), realizados em adultos e crianças com

mais de 5 anos e um estudo de segurança aberto (HGT-ELA-038) realizado em crianças com idades

compreendidas entre os 16 meses e os 7,5 anos de idade.

No total, foram incluídos 108 doentes com síndroma de Hunter do sexo masculino com um amplo

leque de sintomas nos dois estudos clínicos controlados por placebo e aleatorizados; destes, 106

continuaram o tratamento em duas extensões abertas do estudo.

Estudo TKT024

Num estudo clínico com a duração de 52 semanas, controlado por placebo, com dupla ocultação e

aleatorizado, 96 doentes entre os 5 e os 31 anos foram tratados com Elaprase numa posologia de

0,5 mg/kg por semana (n = 32) ou 0,5 mg/kg em semanas alternadas (n = 32) ou ainda placebo

(n = 32). O estudo incluiu doentes com deficiência documentada em atividade enzimática da

iduronato-2-sulfatase, uma capacidade vital <80% e um largo espetro de graus de gravidade da doença.

O parâmetro principal de avaliação da eficácia foi uma contagem composta por dois componentes

baseada na soma das classes de alteração desde o ponto basal até ao fim do estudo na distância

caminhada durante seis minutos (teste de marcha de 6 minutos ou TM6M) como medida de resistência

e a percentagem de capacidade vital prevista (CV) como medida da função pulmonar. Este parâmetro

de avaliação diferiu de forma significativa entre os doentes que receberam placebo e os tratados

semanalmente (p = 0,0049).

Foram realizadas análises adicionais dos benefícios clínicos em componentes individuais da contagem

composta correspondente ao parâmetro principal de avaliação, alterações absolutas da CV, alterações

das concentrações de GAG na urina, volumes hepático e esplénico, medição do volume expiratório

máximo em 1 segundo (VEM

) e alterações da massa ventricular esquerda (MVE). Os resultados são

apresentados na Tabela 2.

Tabela 2. Resultados do estudo clínico principal com 0,5 mg/kg por semana (Estudo TKT024).

Critério de

avaliação

52 semanas de tratamento

0,5 mg/kg por semana

Média (EP: erro padrão) de

ponderação marginal (MO:

margem observada)

Diferença média

do tratamento

comparado com

placebo (EP)

Valor de p

(comparado

com placebo)

Idursulfase

Placebo

Composto (TM6M

e %CV)

74,5 (4,5)

55,5 (4,5)

19,0 (6,5)

0,0049

TM6M (m)

43,3 (9,6)

8,2 (9,6)

35,1 (13,7)

0,0131

% CV prevista

4,2 (1,6)

-0,04 (1,6)

4,3 (2,3)

0,0650

Volume absoluto da

CV (L)

0,23 (0,04)

0,05 (0,04)

0,19 (0,06)

0,0011

Concentração de

GAG na urina (µg

GAG/mg creatinina)

-223,3 (20,7)

52,23 (20,7)

-275,5 (30,1)

<0,0001

% Alteração do

volume hepático

-25,7 (1,5)

-0,5 (1,6)

-25,2 (2,2)

<0,0001

% Alteração do

volume esplénico

-25,5 (3,3)

7,7 (3,4)

-33,2 (4,8)

<0,0001

No total, 11 de 31 (36%) doentes do grupo de tratamento semanal, face a 5 de 31 (16%) doentes do

grupo placebo, apresentaram um aumento do VEM

de pelo menos 0,2 l no fim do estudo ou antes,

indicando haver uma melhoria associada à dose da obstrução das vias respiratórias. Os doentes do

grupo de tratamento semanal exibiram um aumento médio do VEM

de 15%, clinicamente

significativo, no fim do estudo.

As concentrações de GAG na urina encontravam-se normalizadas abaixo do limite superior do normal

(considerado como sendo de 126,6 µg GAG/mg creatinina) em 50% dos doentes submetidos a

tratamento semanal.

Dos 25 doentes com hepatomegalia anormal basal no grupo de tratamento semanal, 80% (20 doentes)

apresentavam, no fim do estudo, uma redução do volume hepático para valores dentro do intervalo

normal.

Dos nove doentes do grupo de tratamento semanal com esplenomegalia anormal basal, três exibiram

normalização do volume esplénico no fim do estudo.

Cerca de metade dos doentes do grupo de tratamento semanal (15 de 32; 47%) sofria de hipertrofia

ventricular esquerda basal, definida como índice de MVE >103 g/m

. Destes, seis (40%) apresentavam

valores normais de MVE no fim do estudo.

Todos os doentes receberam semanalmente idursulfase até 3,2 anos numa extensão deste estudo

(TKT024EXT).

Entre os doentes que foram originalmente aleatorizados para receber semanalmente idursulfase no

TKT024, a melhoria máxima média na distância percorrida a pé durante seis minutos ocorreu no

20º Mês e a percentagem média da CV prevista atingiu o pico no 16ºMês.

Entre todos os doentes, foram observados aumentos médios estatisticamente significativos a partir do

ponto basal de tratamento (ponto basal do TKT024 para os doentes de idursulfase do TKT024 e o

ponto basal na 53ª Semana para os doentes de placebo doTKT024) na distância percorrida a pé de

TM6M, na maioria dos pontos temporais testados, com aumentos médios e percentuais significativos

que variaram de 13,7 metros a 41,5 metros (máximo no 20ºMês)

e de 6,4% a 13,3% (máximo no

24ºMês) respetivamente. Na maioria dos pontos temporais testados, os doentes pertencentes ao grupo

de tratamento semanal do TKT024 original melhoraram muito mais a sua distância percorrida a pé do

que os doentes dos outros dois grupos de tratamento.

Entre todos os doentes, a percentagem médica da CV prevista aumentou significativamente no

16º Mês, apesar de no 36ºMês ser similar à do ponto basal. Os doentes com a insuficiência pulmonar

mais grave, no ponto basal (como medido por % CV prevista), tiveram tendência para mostrar a

melhoria mínima.

Foram observados aumentos estatisticamente significativos, desde o ponto basal de tratamento, no

volume absoluto da CV, em grande parte das visitas para todos os grupos de tratamento e para cada

grupo de tratamento anterior do TKT024. Alterações médias variaram de 0,07 l a 0,31 l, e a

percentagem de 6,3% a 25,5% (máximo no 30ºMês). As alterações médias e percentuais desde o ponto

basal de tratamento foram maiores no grupo de doentes do estudo TKT024 que receberam a dosagem

semanal, ao longo de todos os pontos temporais.

Na sua visita final, 21 dos 31 doentes no grupo semanal do TKT024, 24 dos 32 doentes no grupo de

semanas alternadas do TKT024 e 18 dos 31 doentes no grupo do placebo do TKT024 tinham

concentrações finais normalizadas de GAG na urina que se situavam abaixo do limite superior do

normal. As alterações nas concentrações de GAG na urina foram os primeiros sinais de melhoria

clínica com o tratamento com idursulfase, e as maiores descidas nas concentrações de GAG na urina

foram observadas nos primeiros quatro meses de tratamento, em todos os grupos de tratamento. As

alterações do 4º ao 36ºMês foram pequenas. Quanto mais elevadas eram as concentrações de GAG na

urina, no ponto basal, maior a magnitude das descidas nas concentrações de GAG na urina com o

tratamento com idursulfase.

As descidas observadas no volume hepático e esplénico no fim do estudo TKT024 (53ª semana)

mantiveram-se durante o estudo de extensão (TKT024EXT) em todos os doentes, independentemente

do tratamento anterior realizado. O volume hepático normalizou no 24ºMês para 73% (52 em 71) dos

doentes que tinham hepatomegalia no ponto basal. Além disso, o volume hepático médio desceu até

perto do valor máximo no 8ºMês, em todos os doentes tratados anteriormente, tendo-se observado um

ligeiro aumento no 36ºMês. Foram observadas descidas no volume hepático médio,

independentemente da idade, da gravidade da doença, do estado de anticorpos IgG ou de anticorpos

neutralizadores. O volume esplénico normalizou no 12º e no 24ºMês para 9,7% dos doentes com

esplenomegalia no grupo semanal do TKT024.

O índice de MVE cardíaco médio permaneceu estável durante os 36 meses do tratamento com

idursulfase, em cada grupo de tratamento do TKT024.

Numa análise

post-hoc

da imunogenicidade nos estudos TKT024 e TKT024EXT (ver secção 4.8), os

doentes demonstraram ter a mutação

missense

ou a mutação

frameshift/nonsense.

Após 105 semanas

de exposição ao idursulfase, nem o

status

de anticorpos nem o genótipo afetou as reduções no

tamanho do fígado e baço ou na distância percorrida no teste da caminhada de 6 minutos ou nas

medições da capacidade vital forçada. Os doentes com resultados positivos apresentaram uma menor

redução na eliminação urinária de glicosaminoglicanos que os doentes com resultados negativos de

anticorpos. Não foram estabelecidos os efeitos a longo prazo do desenvolvimento de anticorpos nos

resultados clínicos.

Estudo HGT-ELA-038

O estudo HGT-ELA-038 foi um estudo aberto, multicêntrico de braço único realizado com perfusões

de idursulfase em doentes do sexo masculino com a síndrome de Hunter e idades compreendidas entre

os 16 meses e os 7,5 anos.

O tratamento com idursulfase resultou em até 60% de redução no débito urinário de

glicosaminoglicanos e em reduções no tamanho do fígado e do baço: os resultados foram comparáveis

aos observados no estudo TKT024. As reduções foram evidentes até à 18ª semana e mantiveram-se até

à 53ª semana. Os doentes que desenvolveram uma elevada concentração de anticorpos apresentaram

uma resposta menor ao idursulfase com avaliado pelo débito urinário de glicosaminoglicanos e pelo

tamanho do fígado e do baço.

Análise dos genótipos dos doentes no estudo HGT-ELA-038

Os doentes foram classificados nos seguintes grupos: mutações

missense

(13), deleção total/grande

rearranjo (8) e mutações

frameshift/ splice site

(5). Um doente foi desclassificado/desclassificável.

O genótipo da deleção total/grande rearranjo foi o mais frequentemente associado ao desenvolvimento

de uma elevada concentração de anticorpos e anticorpos neutralizantes ao idursulfase, e foi o mais

provável a apresentar uma resposta ligeira ao medicamento. No entanto, não foi possível prever com

exatidão o resultado clínico individual com base na resposta de anticorpos ou genótipo.

Não existem dados clínicos que demonstrem benefícios para as manifestações neurológicas da doença.

Foi concedida a este medicamento uma “Autorização de Introdução no Mercado em circunstâncias

excecionais”. Isto significa que não foi possível obter informação completa sobre este medicamento

devido à raridade da doença.

A Agência Europeia do Medicamentos procederá à análise de qualquer nova informação que possa

estar disponível anualmente sobre o medicamento e, se necessário, à atualização deste RCM.

5.2

Propriedades farmacocinéticas

A idursulfase é captada por mecanismos seletivos mediados por recetores que envolvem a ligação a

recetores da manose-6-fosfato. Após a captação pelas células, localiza-se no interior dos lisossomas

celulares, limitando assim a distribuição da proteína. A degradação da idursulfase é realizada por

mecanismos de hidrólise de proteínas geralmente bem compreendidos que produzem pequenos

péptidos e aminoácidos; em consequência, não é de esperar que o compromisso renal e hepático afete

a farmacocinética da idursulfase.

Os parâmetros farmacocinéticos medidos durante a primeira perfusão na semana 1 dos estudos

TKT024 (braço de 0,5 mg/kg por semana) e HGT-ELA-038 são apresentados na tabela 3 e na tabela 4

em função da idade e peso corporal, respetivamente.

Tabela 3: Parâmetros farmacocinéticos na semana 1 em função da idade nos estudos TKT024 e

HGT-ELA-038

Estudo

HGT-ELA-038

TKT024

Idade (anos)

1,4 a 7,5

(n=27)

5 a 11

(n=11)

12 a 18

(n=8)

> 18

(n=9)

(μg/mL)

Média ± SD

1,3 ± 0,8

1,6 ± 0,7

1,4 ± 0,3

1,9 ± 0,5

0-∞

(min*μg/mL)

Média ± SD

224,3 ± 76,9

238 ± 103,7

196 ± 40,5

262 ± 74,5

(mL/min/kg)

Média ± SD

2,4 ± 0,7

2,7 ± 1,3

2,8 ± 0,7

2,2 ± 0,7

(mL/kg)

Média ± SD

394 ± 423

217 ± 109

184 ± 38

169 ± 32

Os doentes dos estudos TKT024 e HGT-ELA-038 também foram estratificados em cinco categorias de

peso, como demonstra a próxima tabela:

Leia o documento completo

EMA/529536/2016

EMEA/H/C/000700

Resumo do EPAR destinado ao público

Elaprase

idursulfase

Este é um resumo do Relatório Público Europeu de Avaliação (EPAR) relativo ao Elaprase. O seu

objetivo é explicar o modo como o Comité dos Medicamentos para Uso Humano (CHMP) avaliou o

medicamento a fim de emitir um parecer favorável à concessão de uma autorização de introdução no

mercado, bem como as suas recomendações sobre as condições de utilização do Elaprase.

O que é o Elaprase?

O Elaprase é um medicamento que contém a substância ativa idursulfase. Está disponível na forma de

concentrado para preparação de uma solução para perfusão (administração gota a gota numa veia).

Para que é utilizado o Elaprase?

O Elaprase é utilizado no tratamento de doentes com síndrome de Hunter. Destina-se a tratamento de

longa duração.

A síndrome de Hunter, também conhecida por mucopolissacaridose de tipo II, é uma doença

hereditária rara que afeta principalmente os homens. Os doentes com síndrome de Hunter não

produzem naturalmente uma enzima denominada iduronato-2-sulfatase, necessária para a

degradação, no organismo, de substâncias designadas glicosaminoglicanos (GAG). Como o organismo

destes doentes não é capaz de degradar os GAG, estes acumulam-se progressivamente na maior parte

dos órgãos, causando-lhes danos. Esta deficiência causa uma vasta gama de sintomas, sobretudo

dificuldade em respirar e andar. Sem tratamento, estes sintomas agravam-se com o tempo.

Dado o número de doentes afetados por síndrome de Hunter ser reduzido, esta doença é considerada

rara, pelo que o Elaprase foi designado medicamento órfão (medicamento utilizado em doenças raras)

em 11 de dezembro de 2001.

O medicamento só pode ser obtido mediante receita médica.

30 Churchill Place

Canary Wharf

London E14 5EU

United Kingdom

An agency of the European Union

Telephone

+44 (0)20 3660 6000

Facsimile

+44 (0)20 3660 5555

Send a question via our website

www.ema.europa.eu/contact

© European Medicines Agency, 2016. Reproduction is authorised provided the source is acknowledged.

Como se utiliza o Elaprase?

O tratamento com Elaprase deve ser supervisionado por um médico ou outro profissional de saúde

com experiência no tratamento de doentes com síndrome de Hunter ou outras doenças hereditárias

que afetem o metabolismo.

O Elaprase é administrado semanalmente por perfusão intravenosa, numa dose de 0,5 mg por

quilograma de peso corporal. A perfusão deve ter a duração de três horas. No entanto, desde que não

sejam observadas reações associadas à perfusão (erupção cutânea, comichão, febre, dores de cabeça,

hipertensão ou rubor), a duração da perfusão pode ser reduzida gradualmente para uma hora.

Os doentes que tolerem bem as perfusões administradas durante vários meses numa clínica poderão

começar a recebê-las em casa. As perfusões administradas em casa devem ser supervisionadas por

um médico ou um enfermeiro.

Como funciona o Elaprase?

A substância ativa do Elaprase, a idursulfase, é uma cópia da enzima humana iduronato-2-sulfatase. A

idursulfase substitui a enzima inexistente ou deficiente nos doentes com síndrome de Hunter. O

fornecimento desta enzima ajudará à degradação dos GAG, impedindo que estes se acumulem nos

tecidos do organismo, o que contribui para melhorar os sintomas da doença.

Como foi estudado o Elaprase?

O estudo principal do Elaprase incluiu 96 doentes do sexo masculino com idades compreendidas entre

os 5 e os 31 anos, e comparou-o com um placebo (tratamento simulado). Os principais parâmetros de

eficácia foram a função pulmonar («capacidade vital forçada», quantidade máxima de ar que o doente

podia expirar) e a distância que os doentes eram capazes de percorrer a pé durante seis minutos, que

avalia os efeitos combinados da doença no coração, nos pulmões, nas articulações e noutros órgãos.

Estes parâmetros foram avaliados no início do estudo e após um ano de tratamento.

Qual o benefício demonstrado pelo Elaprase durante os estudos?

O Elaprase melhorou a função pulmonar e a capacidade de marcha dos doentes. No início do estudo,

os doentes podiam percorrer uma média de cerca de 395 metros em seis minutos. Após um ano, os

doentes tratados com Elaprase podiam percorrer uma média de 43 metros adicionais, e os doentes que

receberam placebo podiam percorrer mais 8 metros. O medicamento produziu igualmente uma

melhoria na função pulmonar, enquanto os doentes que receberam placebo registaram um ligeiro

agravamento.

Qual é o risco associado ao Elaprase?

Os efeitos secundários mais frequentes associados ao Elaprase são efeitos associados à perfusão,

incluindo reações cutâneas (erupção ou comichão), febre, dores de cabeça, pressão arterial alta e

rubor (vermelhidão da pele). Outros efeitos secundários observados em mais de 1 doente em cada 10

são pieira, dispneia (dificuldade respiratória), dor abdominal (dor de barriga), náuseas (enjoo),

dispepsia (azia), diarreia, vómitos, inchaço no local da perfusão e dores no peito. Ocorreram reações

alérgicas graves em alguns doentes a tomar Elaprase. Para a lista completa dos efeitos secundários

comunicados relativamente ao Elaprase, consulte o Folheto Informativo.

O Elaprase é contraindicado em doentes que tenham sofrido anteriormente reações alérgicas

(anafiláticas) graves ou potencialmente fatais ao idursulfase ou a qualquer outro componente do

Elaprase

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Página 2/3

medicamento caso a sua alergia não seja controlável. Quando administrado a doentes que tenham tido

anteriormente reações alérgicas graves, o Elaprase deve ser utilizado com precaução, e durante a

perfusão deverá estar disponível pessoal qualificado e equipamento para reanimação de emergência.

Por que foi aprovado o Elaprase?

O CHMP concluiu que as melhorias demonstradas no estudo, embora limitadas, representam um

benefício clínico no tratamento da síndrome de Hunter. O Comité concluiu que os benefícios do

Elaprase são superiores aos seus riscos e recomendou a concessão de uma autorização de introdução

no mercado para o medicamento.

O Elaprase foi autorizado em circunstâncias excecionais. Isto significa que, como a síndrome de Hunter

é uma doença rara, não foi possível obter informações completas sobre o Elaprase. A Agência Europeia

de Medicamentos (EMA) procederá, anualmente, à análise de novas informações disponíveis e, se

necessário, à atualização do presente resumo.

Que informação ainda se aguarda sobre o Elaprase?

A empresa que produz o Elaprase investigará os efeitos do Elaprase a longo prazo e determinará se o

Elaprase estimula o organismo a produzir anticorpos que possam afetar a segurança e a eficácia do

medicamento.

Que medidas estão a ser adotadas para garantir a utilização segura e eficaz

do Elaprase?

No Resumo das Características do Medicamento e no Folheto Informativo foram incluídas

recomendações e precauções a observar pelos profissionais de saúde e pelos doentes para a utilização

segura e eficaz do Elaprase.

Outras informações sobre o Elaprase

Em 8 de janeiro de 2007, a Comissão Europeia concedeu uma Autorização de Introdução no Mercado,

válida para toda a União Europeia, para o medicamento Elaprase.

O EPAR completo relativo ao Elaprase pode ser consultado no sítio Internet da Agência

em: ema.europa.eu/Find medicine/Human medicines/European public assessment reports Para mais

informações sobre o tratamento com o Elaprase, leia o Folheto Informativo (também parte do EPAR)

ou contacte o seu médico ou farmacêutico.

O resumo do parecer emitido pelo Comité dos Medicamentos Órfãos para o Elaprase pode ser

consultado no sítio Internet da Agência em:

ema.europa.eu/Find medicine/Human medicines/Rare

disease designation.

Este resumo foi atualizado pela última vez em 09-2016.

Elaprase

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