Corlentor

União Europeia - português - EMA (European Medicines Agency)

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Ingredientes ativos:
cloridrato de ivabradina
Disponível em:
Les Laboratoires Servier
Código ATC:
C01EB17
DCI (Denominação Comum Internacional):
ivabradine
Grupo terapêutico:
CARDÍACA TERAPIA
Área terapêutica:
A Angina De Peito, Insuficiência Cardíaca
Indicações terapêuticas:
Tratamento sintomático da angina estável crónica pectorisIvabradine é indicado para o tratamento sintomático da angina estável crónica pectoris da doença arterial coronariana em adultos normais, com ritmo sinusal e a frequência cardíaca ≥ 70 bpm. Ivabradine é indicado:em adultos incapazes de tolerar ou com uma contra-indicação para o uso de beta-blockersor em combinação com beta-bloqueadores em pacientes inadequadamente controlados com um ideal de beta-bloqueador dose. Tratamento de doenças crônicas de coração failureIvabradine é indicado em insuficiência cardíaca crônica NYHA II para a classe IV, com disfunção sistólica, em pacientes em ritmo sinusal e cuja frequência cardíaca é de ≥ 75 bpm, em combinação com a terapia padrão, incluindo beta-bloqueadores terapia ou quando a beta-bloqueador terapia é contra-indicada ou não tolerado.
Resumo do produto:
Revision: 25
Status de autorização:
Autorizado
Número de autorização:
EMEA/H/C/000598
Data de autorização:
2005-10-25
Código EMEA:
EMEA/H/C/000598

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B. FOLHETO INFORMATIVO

Folheto informativo: Informação para o doente

Corlentor 5 mg comprimidos revestidos por película

Corlentor 7,5 mg comprimidos revestidos por película

Ivabradina

Leia com atenção todo este folheto antes de começar a tomar este medicamento, pois contém

informação importante para si.

Conserve este folheto. Pode ter necessidade de o ler novamente.

Caso ainda tenha dúvidas, fale com o seu médico ou farmacêutico.

Este medicamento foi receitado apenas para si. Não deve dá-lo a outros. O medicamento pode

ser-lhes prejudicial mesmo que apresentem os mesmos sinais de doença.

Se tiver quaisquer efeitos secundários, incluindo possíveis efeitos secundários não indicados

neste folheto, fale com o seu médico ou farmacêutico. Ver secção 4.

O que contém este folheto:

O que é Corlentor e para que é utilizado

O que precisa de saber antes de tomar Corlentor

Como tomar Corlentor

Efeitos secundários possíveis

Como conservar Corlentor

Conteúdo da embalagem e outras informações

1.

O que é CORLENTOR e para que é utilizado

Corlentor (ivabradina) é um medicamento para o coração, usado para tratar:

A angina de peito estável sintomática (que causa dor de peito) em doentes adultos, cuja

frequência cardíaca (ritmo do coração) seja igual ou superior a 70 batimentos por minuto. É

usado em doentes adultos que não toleram ou não possam tomar medicamentos para o coração

chamados bloqueadores beta. É também usado em combinação com bloqueadores beta em

doentes adultos que não tenham a sua condição completamente controlada com o bloqueador

beta.

Insuficiência cardíaca crónica em doentes adultos que tenham uma frequência cardíaca (ritmo

do coração) igual ou superior a 75 batimentos por minuto. O medicamento é utilizado em

combinação com a terapêutica padrão, incluindo terapêutica com bloqueadores beta ou quando

os bloqueadores beta são contraindicados ou não tolerados.

Sobre a angina de peito estável (normalmente referida como “angina”):

A angina estável é uma doença de coração que ocorre quando o coração não recebe oxigénio

suficiente. Aparece geralmente entre os 40 e os 50 anos de idade. O sintoma mais comum da angina é

dor de peito ou desconforto. A angina aparece mais frequentemente quando o coração bate mais

rápido em situações de exercício, emoção, exposição ao frio ou após uma refeição. Este aumento da

frequência cardíaca (ritmo do coração) pode causar dor no peito nas pessoas que sofrem de angina.

Sobre a insuficiência cardíaca crónica:

Insuficiência cardíaca crónica é uma doença do coração que ocorre quando o coração não consegue

bombear sangue suficiente para o resto do seu corpo. Os sintomas mais comuns da insuficiência

cardíaca são falta de ar, fadiga, cansaço e tornozelos inchados.

Como atua o Corlentor?

Corlentor atua principalmente reduzindo a frequência cardíaca (ritmo do coração) em alguns

batimentos por minuto. Diminui assim a necessidade do coração em oxigénio, especialmente em

situações em que é mais provável a ocorrência de um ataque de angina. Deste modo, Corlentor ajuda

a controlar e reduzir o número de ataques de angina.

Além disso, como a frequência cardíaca (ritmo do coração) elevada afeta negativamente o

funcionamento do coração e o prognóstico vital em doentes com insuficiência cardíaca crónica, a ação

específica da ivabradina ao diminuir a frequência cardíaca (ritmo do coração) ajuda a melhorar o

funcionamento do coração e o prognóstico vital nestes doentes.

2.

O que precisa de saber antes de tomar CORLENTOR

Não tome Corlentor

se tem alergia à ivabradina ou a qualquer outro componente deste medicamento (indicados na

secção 6);

se a sua frequência cardíaca (ritmo do coração) em repouso antes do tratamento for muito baixa

(inferior a 70 batimentos por minuto);

se sofre de choque cardiogénico (uma situação cardíaca tratada em hospital);

se sofrer de uma perturbação do ritmo cardíaco;

se estiver a sofrer um ataque cardíaco;

se sofrer de tensão arterial muito baixa;

se sofrer de angina instável (uma forma grave na qual a dor de peito ocorre muito

frequentemente e com ou sem esforço);

se tiver insuficiência cardíaca que piorou recentemente;

se o batimento do coração for imposto exclusivamente pelo seu pacemaker;

se sofrer de problemas graves do fígado;

- se já estiver a tomar medicamentos para o tratamento de infeções fúngicas (tais como

cetoconazol, itraconazol), antibióticos macrólidos (tais como josamicina, claritromicina,

telitromicina ou eritromicina tomada oralmente), medicamentos para tratar as infeções por VIH

(tais como nelfinavir, ritonavir) ou nefezadona (medicamento para tratar depressão) ou

diltiazem, verapamil (utilizado para a tensão arterial elevada ou angina de peito);

se for uma mulher que possa engravidar e se não estiver a usar contraceção de confiança;

se estiver grávida ou a tentar engravidar;

se estiver a amamentar.

Advertências e precauções

Fale com o seu médico ou farmacêutico antes de tomar Corlentor

se sofrer de perturbações do ritmo cardíaco (tal como batimento cardíaco irregular, palpitações,

aumento das dores no peito) ou fibrilhação auricular mantida (um tipo irregular de batimento

cardíaco), ou uma anormalidade no eletrocardiograma (ECG) denominada por “síndrome de

QT longo”,

se tiver sintomas de cansaço, tonturas ou falta de ar (isto pode significar que o seu coração

abrandou demasiado),

se tem sintomas de fibrilhação auricular (frequência arterial no pulso em repouso

invulgarmente elevada (mais de 110 batimentos por minuto) ou irregular, sem qualquer razão

aparente, tornando-se difícil de medir),

se teve um AVC recente (derrame cerebral),

se sofre de hipotensão (tensão baixa) ligeira a moderada,

- se sofre de tensão arterial não controlada, especialmente após uma alteração do seu tratamento

anti-hipertensor.

se sofre de insuficiência cardíaca grave ou insuficiência cardíaca com uma anormalidade no

ECG denominada como “bloqueio de ramo”,

se sofrer de doença ocular retiniana crónica,

se sofre de problemas moderados de fígado,

se sofrer de problemas renais graves.

Se qualquer destas situações se aplicar a si, fale imediatamente com o seu médico antes ou durante o

tratamento com Corlentor.

Crianças

Corlentor não é indicado para crianças e adolescentes menores de 18 anos.

Outros medicamentos e CORLENTOR

Informe o seu médico ou farmacêutico se estiver a tomar, tiver tomado recentemente, ou vier a tomar

outros medicamentos.

Informe o seu médico se estiver a tomar qualquer dos seguintes medicamentos, uma vez que pode ser

necessário um ajuste da dose de Corlentor ou a sua monitorização:

fluconazol (um medicamento antifúngico)

rifampicina (um antibiótico)

barbitúricos (para dificuldade em dormir ou epilepsia)

fenitoína (para epilepsia)

hipericão ou erva de S. João (tratamento à base de ervas para a depressão)

medicamentos que prolongam o intervalo QT para tratar quer alterações do ritmo cardíaco quer

outras condições:

quinidina, disopiramida, ibutilida, sotalol, amiodarona (para tratar perturbações do ritmo

cardíaco)

bepridilo (para tratar angina de peito)

certos tipos de medicamentos para tratar ansiedade, esquizofrenia ou outras psicoses (tais

como pimozida, ziprasidona, sertindol)

medicamentos antimaláricos (tais como mefloquina ou halofantrina)

eritromicina intravenosa (um antibiótico)

pentamidina (medicamento antiparasitário)

cisaprida (contra o refluxo gastroesofágico).

alguns tipos de diuréticos que podem diminuir o nível de potássio no sangue, tais como a

furosemida, hidroclorotiazida, indapamida (usada no tratamento de edema e tensão arterial

elevada).

Corlentor com alimentos e bebidas

Evite o sumo de toranja durante o tratamento com Corlentor.

Gravidez e amamentação

Não tome Corlentor se estiver grávida ou estiver a planear engravidar (ver “Não tome Corlentor”).

Se estiver grávida e tiver tomado Corlentor, fale com o seu médico.

Não tome Corlentor se tiver possibilidade de engravidar, a não ser que use medidas contracetivas de

confiança (ver “ Não tome Corlentor).

Não tome Corlentor se estiver a amamentar (ver “Não tome Corlentor”). Fale com o seu médico se

estiver a amamentar ou pretender amamentar, uma vez que a amamentação deve ser descontinuada se

estiver a tomar Corlentor.

Se está grávida ou a amamentar, se pensa estar grávida ou planeia engravidar, consulte o seu médico

ou farmacêutico antes de tomar este medicamento.

Condução de veículos e utilização de máquinas

Corlentor pode causar temporariamente fenómenos visuais luminosos (luminosidade transitória no

campo visual, ver “Efeitos secundários possíveis”).

Se isto lhe acontecer, tenha cuidado quando conduzir ou utilizar máquinas nas ocasiões em que

possam ocorrer alterações súbitas na intensidade da luz, especialmente quando conduzir à noite.

Corlentor

contém lactose

. Se foi informado pelo seu médico que tem alguma intolerância a alguns

açúcares, contacte-o antes de tomar este medicamento.

3.

Como tomar CORLENTOR

Tome este medicamento exatamente como indicado pelo seu médico ou farmacêutico. Fale com o seu

médico ou farmacêutico se tiver dúvidas.

Corlentor deve ser tomado durante as refeições.

Se está a ser tratado para a angina de peito estável

A dose inicial não deve exceder um comprimido de Corlentor 5 mg duas vezes por dia. Se ainda tiver

sintomas de angina e se tiver tolerado bem a dose de 5 mg duas vezes por dia, a dose pode ser

aumentada. A dose de manutenção não deve exceder os 7,5 mg duas vezes por dia. O seu médico irá

prescrever a dose certa para si. A dose habitual é de um comprimido de manhã e um comprimido à

noite. Em alguns casos (por exemplo, se for idoso), o seu médico pode prescrever metade da dose,

isto é, meio comprimido de Corlentor 5 mg (o que correspondente a 2,5 mg de ivabradina) de manhã e

meio comprimido de 5 mg à noite.

Se está a ser tratado para a insuficiência cardíaca crónica

A dose inicial habitualmente recomendada é um comprimido de Corlentor 5 mg duas vezes por dia

aumentando se necessário para um comprimido de Corlentor 7,5 mg duas vezes por dia. O seu médico

decidirá sobre a dose apropriada para si. A dose habitual é um comprimido de manhã e um

comprimido à noite. Nalguns casos (por ex. se for idoso), o seu médico pode prescrever metade da

dose i.e. meio comprimido de Corlentor 5 mg (correspondente a 2,5 mg de ivabradina) de manhã e

meio comprimido de 5 mg à noite.

Se tomar mais Corlentor do que deveria:

Uma dose elevada de Corlentor pode provocar-lhe falta de ar ou cansaço porque o seu coração bate

menos. Se isto acontecer, contacte o seu médico imediatamente.

Caso se tenha esquecido de tomar Corlentor:

Caso se tenha esquecido de tomar uma dose de Corlentor, tome a próxima dose à hora habitual.

Não tome uma dose a dobrar para compensar a dose que se esqueceu de tomar.

O calendário impresso na placa que contém os comprimidos ajuda-o a lembrar-se de quando tomou o

último comprimido de Corlentor.

Se parar de tomar Corlentor:

Como o tratamento para a angina ou para a insuficiência cardíaca crónica é normalmente um

tratamento prolongado, deve falar com o seu médico antes de parar de tomar este medicamento.

Fale com o seu médico ou farmacêutico se tiver a impressão de que Corlentor é demasiado forte ou

demasiado fraco.

Caso ainda tenha dúvidas sobre a utilização deste medicamento, fale com o seu médico ou

farmacêutico.

4.

Efeitos secundários possíveis

Como todos os medicamentos, este medicamento pode ter efeitos secundários, embora estes não se

manifestem em todas as pessoas.

A frequência dos efeitos secundários listados abaixo é definida usando a seguinte convenção:

muito frequentes: pode afetar mais de 1 em cada 10 pessoas

frequentes: pode afetar até 1 em cada 10 pessoas

pouco frequentes: pode afetar até 1 em cada 100 pessoas

raros: pode afetar até 1 em cada 1.000 pessoas

muito raros: pode afetar até 1 em cada 10.000 pessoas

desconhecido: a frequência não pode ser calculada a partir dos dados disponíveis

Os efeitos secundários mais comuns com este medicamento são dependentes da dose e relacionados

com o seu modo de ação:

Muito frequentes:

Fenómenos luminosos visuais (breves momentos de luminosidade aumentada, causados

frequentemente por alterações súbitas na intensidade da luz). Também podem ser descritos como uma

auréola, luzes coloridas intermitentes, decomposição de imagens ou imagens múltiplas. Geralmente,

estes ocorrem durante os primeiros dois meses de tratamento, após os quais podem ocorrer

repetidamente e desaparecer durante ou após o tratamento.

Frequentes:

Modificação do funcionamento cardíaco (os sintomas são uma diminuição do ritmo do coração). Esta

situação, em particular, pode ocorrer durante os primeiros 2 a 3 meses de tratamento.

Outros efeitos secundários também notificados:

Frequentes:

Contração rápida e irregular do coração, perceção anormal do batimento cardíaco, tensão arterial não

controlada, dor de cabeça, tonturas e visão turva (visão nebulada).

Pouco frequentes:

Palpitações e batimentos cardíacos extra, sentir-se doente (náusea), obstipação (prisão de ventre),

diarreia, dor abdominal, sensação de rotação (vertigens), dificuldade em respirar (dispneia), espasmos

musculares (contração involuntária dos músculos), alterações dos parâmetros laboratoriais: elevados

níveis de ácido úrico no sangue, excesso de eosinófilos (um tipo de glóbulos brancos) e elevada

creatinina no sangue (produto de degradação do músculo), erupção na pele, angioedema (tal como

inchaço da face, língua ou garganta, dificuldade em respirar ou engolir), tensão arterial baixa,

desmaio, sensação de cansaço, sensação de fraqueza, traçado anormal do ECG, visão dupla, alteração

visual.

Raros:

Urticária, comichão, pele vermelha, sensação de mal-estar.

Muito raros:

Batimentos irregulares do coração.

Comunicação de efeitos secundários

Se tiver quaisquer efeitos secundários, incluindo possíveis efeitos secundários não indicados neste

folheto, fale com o seu médico ou farmacêutico.

Também poderá comunicar efeitos secundários diretamente através do sistema nacional de notificação

mencionado no Apêndice V*. Ao comunicar efeitos secundários, estará a ajudar a fornecer mais

informações sobre a segurança deste medicamento.

5.

Como conservar CORLENTOR

Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças.

Não utilize este medicamento após o prazo de validade impresso na embalagem exterior e blister,

após “EXP”. O prazo de validade corresponde ao último dia do mês indicado.

Este medicamento não necessita de quaisquer precauções especiais de conservação.

Não deite fora quaisquer medicamentos na canalização ou no lixo doméstico. Pergunte ao seu

farmacêutico como deitar fora os medicamentos que já não utiliza. Estas medidas ajudarão a proteger

o ambiente.

6.

Conteúdo da embalagem e outras informações

Qual a composição de Corlentor:

- A substância ativa é ivabradina (sob a forma de cloridrato)

Corlentor 5 mg: 1 comprimido revestido por película contém 5 mg de ivabradina (equivalente a

5,390 mg de cloridrato de ivabradina).

Corlentor 7,5 mg: 1 comprimido revestido por película contém 7,5 mg de ivabradina (equivalente a

8,085 mg de cloridrato de ivabradina).

- Os outros componentes no núcleo são: lactose mono-hidratada, estearato de magnésio (E 470 B),

amido de milho, maltodextrina, sílica coloidal anidra (E 551), e no revestimento do comprimido são:

hipromelose (E 464), dióxido de titânio (E 171), macrogol 6000, glicerol (E 422), estearato de

magnésio (E 470 B), óxido de ferro amarelo (E 172) e óxido de ferro vermelho (E 172).

Qual o aspeto de Corlentor e conteúdo da embalagem

Corlentor 5 mg são comprimidos de cor salmão, oblongos revestidos por película, com ranhura em

ambas as faces, gravados com “5” numa face e

na outra.

Corlentor 7,5 mg são comprimidos de cor salmão, triangulares revestidos por película, gravados com

“7,5” numa face e

na outra.

Os comprimidos de Corlentor estão disponíveis em embalagens calendário (Alumínio/PVC blister)

com 14, 28, 56, 84, 98, 100 ou 112 comprimidos.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

Titular da Autorização de Introdução no Mercado

Les Laboratoires Servier

50, rue Carnot

92284 Suresnes cedex

França

Fabricante

Les Laboratoires Servier Industrie

905 route de Saran

45520 Gidy- França

Servier (Ireland) Industrie Ltd

Gorey Road

Arklow-Co. Wicklow- Irlanda

Przedsiebiorstwo Farmaceutyczne ANPHARM S.A.

ul. Annopol 6B- 03-236 Warzawa – Polónia

Para quaisquer informações sobre este medicamento, queira contactar o representante local do Titular

da Autorização de Introdução no Mercado.

België/Belgique/Belgien

S.A. Servier Benelux N.V.

Tél/Tel: +32 (0)2 529 43 11

Lietuva

UAB ”SERVIER PHARMA”

Tel: +370 (5) 2 63 86 28

България

Сервие Медикал ЕООД

Тел.: +359 2 921 57 00

Luxembourg/Luxemburg

S.A. Servier Benelux N.V.

Tél/Tel: +32 (0)2 529 43 11

Česká republika

Servier s.r.o.

Tel: +420 222 118 111

Magyarország

Servier Hungaria Kft.

Tel.: + 36 1 238 77 99

Danmark

Servier Danmark A/S

Tlf: +45 36 44 22 60

Malta

V.J. Salomone Pharma Ltd

Tel: + 356 21 22 01 74

Deutschland

Servier Deutschland GmbH

Tel: +49 (0)89 57095 01

Nederland

Servier Nederland Farma B.V.

Tel: +31 (0)71 5246700

Eesti

Servier Laboratories OÜ

Tel:+ 372 664 5040

Norge

Servier Danmark A/S

Tlf: +45 36 44 22 60

Ελλάδα

ΣΕΡΒΙΕ ΕΛΛΑΣ ΦΑΡΜΑΚΕΥΤΙΚΗ ΕΠΕ

Τηλ: +30 210 939 1000

Österreich

Servier Austria GmbH

Tel: +43 (1) 524 39 99

España

DANVAL S.A.

Tel: +34 91 748 96 30

Polska

Servier Polska SP. Z O.O.

Tel.: + 48 (0) 22 594 90 00

France

Les Laboratoires Servier

Tél: +33 (0)1 55 72 60 00

Portugal

Servier Portugal, Lda

Tel: +351 21 312 20 00

Hrvatska

Servier Pharma, d. o. o.

Tel.: +385 (0)1 3016 222

România

Servier Pharma SRL

Tel: +4 021 528 52 80

Ireland

Servier Laboratories (Ireland) Ltd.

Tel: +353 (0)1 663 8110

Slovenija

Servier Pharma d.o.o.

Tel: + 386 (0)1 563 48 11

Ísland

Servier Laboratories

C/o Icepharma hf

Sími: +354 540 8000

Slovenská republika

Servier Slovensko spol. s r.o.

Tel: +421 (0) 2 5920 41 11

Italia

Istituto Farmaco Biologico Stroder S.r.l.

Tel: +39 06 669081

Suomi/Finland

Servier Finland Oy

P./Tel: +358 (0)9 279 80 80

Κύπρος

C.A. Papaellinas Ltd.

Τηλ: +357 22741741

Sverige

Servier Sverige AB

Tel: +46(8)5 225 08 00

Latvija

SIA Servier Latvia

United Kingdom

Servier Laboratories Ltd

Tel: + 371 67502039

Tel: +44 (0)1 753 666409

Este folheto foi revisto pela última vez em

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet

da Agência

Europeia de Medicamentos http://www.ema.europa.eu

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ANEXO I

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

1.

NOME DO MEDICAMENTO

Corlentor 5 mg comprimidos revestidos por película

Corlentor 7,5 mg comprimidos revestidos por película

2.

COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Corlentor 5 mg comprimidos revestidos por película

Um comprimido revestido por película contém 5 mg de ivabradina (equivalente a 5,390 mg de

cloridrato de ivabradina).

Excipiente com efeito conhecido: 63,91 mg de lactose mono-hidratada

Corlentor 7,5 mg comprimidos revestidos por película

Um comprimido revestido por película contém 7,5 mg de ivabradina (equivalente a 8,085 mg de

cloridrato de ivabradina).

Excipiente com efeito conhecido: 61,215 mg de lactose mono-hidratada

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3.

FORMA FARMACÊUTICA

Comprimido revestido por película.

Corlentor 5 mg comprimidos revestidos por película

Comprimido revestido por película, de cor salmão, oblongo, com ranhura em ambas as faces, gravado

com “5” numa face e

na outra face.

O comprimido pode ser dividido em doses iguais.

Corlentor 7,5 mg comprimidos revestidos por película

Comprimido revestido por película, de cor salmão, triangular, gravado com “7,5” numa face e

outra face.

4.

INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1

Indicações terapêuticas

Tratamento sintomático da angina de peito crónica estável

A ivabradina está indicada para o tratamento sintomático da angina de peito crónica estável em

adultos com doença arterial coronária com ritmo sinusal normal e uma frequência cardíaca ≥ 70 bpm.

A ivabradina está indicada:

em adultos com intolerância ou em que seja contraindicado o uso de bloqueadores beta.

ou em combinação com os bloqueadores beta em doentes controlados inadequadamente com

um bloqueador beta na dose ótima.

Tratamento da insuficiência cardíaca crónica

A ivabradina está indicada na insuficiência cardíaca crónica classe NYHA II a IV com disfunção

sistólica, em doentes com ritmo sinusal e cuja frequência cardíaca é

75 bpm, em associação com a

terapêutica padrão, incluindo terapêutica com bloqueadores beta ou quando a terapêutica com

bloqueadores beta está contraindicada ou não é tolerada (ver secção 5.1).

4.2

Posologia e modo de administração

Posologia

Estão disponíveis comprimidos revestidos por película contendo 5 mg e 7,5 mg de ivabradina.

Tratamento sintomático da angina de peito crónica estável

Recomenda-se que a decisão de iniciar ou ajustar o tratamento se baseie numa série de medições de

frequência cardíaca, electrocardiograma (ECG) ou monitorização ambulatória de 24 horas.

A dose inicial de ivabradina não deve exceder as 5 mg duas vezes por dia em doentes com idade

inferior a 75 anos. Após três a quatro semanas de tratamento, se o doente ainda tiver sintomas, a dose

inicial for bem tolerada e a frequência cardíaca em repouso continuar acima dos 60 bpm, a dose pode

ser aumentada para a dose seguinte em doentes a tomar 2,5 mg ou 5 mg duas vezes por dia. A dose de

manutenção não deve exceder 7,5 mg duas vezes por dia.

Se não houver melhoria dos sintomas da angina de peito nos 3 meses seguintes ao início do

tratamento com ivabradina, este deve ser descontinuado.

Adicionalmente, a descontinuação do tratamento deve ser considerada se a resposta for apenas

sintomática e quando não existir uma redução clínica relevante na frequência cardíaca em repouso no

período de três meses.

Se, durante o tratamento, a frequência cardíaca diminuir abaixo de 50 batimentos por minuto (bpm)

em repouso, ou se o doente apresentar sintomas relacionados com bradicardia tais como tonturas,

fadiga ou hipotensão, a dose deve ser titulada para baixo incluindo a dose mais baixa de 2,5 mg duas

vezes por dia (metade de um comprimido de 5 mg duas vezes por dia). Após a diminuição da dose, a

frequência cardíaca deve ser monitorizada (ver secção 4.4). O tratamento deve ser descontinuado se a

frequência cardíaca permanecer inferior a 50 bpm ou se persistirem sintomas de bradicardia, mesmo

com a diminuição da dose.

Tratamento da insuficiência cardíaca crónica

O tratamento tem de ser iniciado apenas nos doentes com insuficiência cardíaca estável. Recomenda-

se que o médico assistente tenha experiência no tratamento da insuficiência cardíaca crónica.

A dose inicial de ivabradina normalmente recomendada é de 5 mg duas vezes ao dia. Após duas

semanas de tratamento, a dose pode ser aumentada para 7,5 mg duas vezes ao dia se a frequência

cardíaca em repouso estiver persistentemente acima dos 60 bpm ou diminuída para 2,5 mg duas vezes

ao dia (metade do comprimido de 5 mg duas vezes ao dia) se a frequência cardíaca em repouso estiver

persistentemente abaixo dos 50 bpm ou em caso de sintomas relacionados com bradicardia, como

sejam tonturas, fadiga ou hipotensão. Se a frequência cardíaca estiver entre os 50 e 60 bpm, a dose de

5 mg duas vezes ao dia deve ser mantida.

Se durante o tratamento, a frequência cardíaca em repouso diminuir persistentemente abaixo dos 50

batimentos por minuto (bpm) ou se o doente apresentar sintomas relacionados com bradicardia, a dose

deve ser diminuída para a dose inferior mais próxima nos doentes a tomarem 7,5 mg duas vezes ao dia

ou 5 mg duas vezes ao dia. Se a frequência cardíaca aumentar persistentemente acima de 60

batimentos por minuto em repouso, a dose pode ser aumentada para a dose superior mais próxima nos

doentes a tomarem 2,5 mg duas vezes ao dia ou 5 mg duas vezes ao dia.

O tratamento deve ser descontinuado se a frequência cardíaca se mantiver abaixo dos 50 bpm ou os

sintomas de bradicardia persistirem (ver secção 4.4).

População especial

Idosos

Em doentes com 75 anos ou mais, deve ser considerada a dose inicial mais baixa (2,5 mg duas vezes

por dia i.e. meio comprimido de 5 mg duas vezes por dia) antes da titulação crescente, se necessário.

Compromisso renal

Não é necessário ajuste da dose em doentes com insuficiência renal e

clearance

da creatinina acima

de 15 ml/min (ver secção 5.2).

Não existem dados disponíveis em doentes com

clearance

da creatinina abaixo de 15 ml/min. A

ivabradina deve ser, portanto, usada com precaução nesta população.

Compromisso hepático

Não é necessário ajuste da dose em doentes com compromisso hepático ligeiro.

Devem tomar-se precauções quando se usa a ivabradina em doentes com compromisso hepático

moderado. A ivabradina está contraindicada para utilização em doentes com insuficiência hepática

grave, dado que não foi estudada nesta população e porque se antecipa um grande aumento da

exposição sistémica (ver secções 4.3 e 5.2).

População pediátrica

A segurança e eficácia de ivabradina no tratamento da insuficiência cardíaca crónica em crianças com

menos de 18 anos de idade não foram estabelecidas.

Os dados atualmente disponíveis encontram-se descritos na secção 5.1 e 5.2, mas não pode ser feita

qualquer recomendação posológica.

Modo de administração

Os comprimidos devem ser tomados duas vezes por dia por via oral, i.e. uma vez de manhã e outra à

noite durante as refeições (ver secção 5.2).

4.3

Contraindicações

- Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1.

- Frequência cardíaca em repouso abaixo de 70 batimentos por minuto antes do tratamento

- Choque cardiogénico

- Enfarte agudo do miocárdio

- Hipotensão grave (< 90/50 mmHg)

- Insuficiência hepática grave

-

Síndrome do nódulo sinusal

- Bloqueio sino-auricular

- Insuficiência cardíaca aguda ou instável

- Dependência de

pacemaker

(frequência cardíaca imposta exclusivamente pelo

pacemaker

- Angina instável

- Bloqueio AV de 3º grau

-

Combinação com fortes inibidores do citocromo P450 3A4, tais como antifúngicos azol

(cetoconazol, itraconazol), antibióticos macrólidos (claritromicina, eritromicina oral, josamicina,

telitromicina), inibidores da protease do VIH (nelfinavir, ritonavir) e nefazodona (ver secções 4.5 e

5.2)

- Associação com verapamil ou diltiazem, que são inibidores moderados do CYP3A4, com

propriedades de reduzir a frequência cardíaca (ver secção 4.5)

- Gravidez, aleitamento e mulheres com potencial para engravidar que não estejam a usar medidas

contracetivas apropriadas (ver secção 4.6)

4.4

Advertências e precauções especiais de utilização

Precauções especiais

Falta de benefício nos resultados clínicos, em doentes com angina de peito crónica estável

sintomática

A ivabradina está indicada apenas para o tratamento sintomático da angina de peito crónica estável,

visto que não tem benefícios nos resultados cardiovasculares (por exemplo: enfarte do miocárdio ou

morte cardiovascular) (ver secção 5.1).

Medição de frequência cardíaca

Dado que a frequência cardíaca pode variar consideravelmente ao longo do tempo, uma série de

medições da frequência cardíaca, ECG ou monitorização ambulatória de 24 horas devem ser

considerados para determinar a frequência cardíaca em repouso antes do início do tratamento com

ivabradina e em doentes em tratamento com ivabradina quando a titulação é considerada. Esta

recomendação também se aplica a doentes com uma frequência cardíaca baixa, em particular, quando

a frequência cardíaca diminui abaixo de 50 bpm, ou após redução da dose (ver secção 4.2).

Arritmias cardíacas

A ivabradina não é eficaz no tratamento ou prevenção de arritmias cardíacas e provavelmente perde a

sua eficácia quando ocorre uma taquiarritmia (por ex. taquicardia ventricular ou supraventricular).

Portanto a ivabradina não é recomendada em doentes com fibrilhação auricular ou outras arritmias

cardíacas que interferem com a função do nódulo sinusal.

O risco de desenvolver fibrilhação auricular aumenta em doentes tratados com ivabradina (ver secção

4.8). A fibrilhação auricular tem sido mais comum em doentes que utilizam concomitantemente

amiodarona ou potentes antiarrítmicos de classe I.

Recomenda-se a monitorização clínica regular da ocorrência de fibrilhação auricular (persistente ou

paroxística) dos doentes tratados com ivabradina, que deve também incluir monitorização por ECG se

clinicamente indicado (i.e. em caso de angina agravada, palpitações, pulso irregular). Os doentes

devem ser informados dos sinais e sintomas da fibrilhação auricular e avisados para contactarem o seu

médico, se estes ocorrerem.

Caso se desenvolva fibrilhação auricular durante o tratamento com ivabradina, a relação entre os

benefícios e os riscos da continuação do tratamento deve ser cuidadosamente reconsiderada.

Doentes insuficientes cardíacos crónicos com defeitos na condução intraventricular (bloqueio do

ramo esquerdo do feixe, bloqueio do ramo direito do feixe) e dessincronia ventricular devem ser

cuidadosamente monitorizados.

Utilização em doentes com bloqueio AV de 2º grau

A ivabradina não é recomendada

em doentes com bloqueio AV de 2º grau.

Utilização em doentes com frequência cardíaca baixa

A ivabradina não pode ser iniciada em doentes com uma frequência cardíaca em repouso abaixo de 70

batimentos por minuto (ver secção 4.3).

Se, durante o tratamento, a frequência cardíaca em repouso descer persistentemente abaixo de 50 bpm

ou se o doente apresentar sintomas relacionados com bradicardia tais como tonturas, fadiga ou

hipotensão, a dose deve ser titulada para baixo ou o tratamento deve ser descontinuado se a

frequência cardíaca abaixo de 50 bpm persistir ou persistirem os sintomas de bradicardia (ver secção

4.2).

Combinação com bloqueadores dos canais de cálcio

A utilização concomitante de ivabradina com bloqueadores dos canais do cálcio que reduzem a

frequência cardíaca, tais como verapamilo ou diltiazem é contraindicada (ver secções 4.3 e 4.5). Não

surgiu qualquer problema de segurança relacionado com a combinação de ivabradina com nitratos e

bloqueadores dos canais de cálcio dihidropiridínicos tal como a amlodipina. Não foi estabelecida

eficácia adicional da ivabradina em combinação com os bloqueadores dos canais de cálcio

dihidropiridínicos (ver secção 5.1).

Insuficiência cardíaca crónica

A insuficiência cardíaca deve estar estável antes de se considerar o tratamento com ivabradina. A

ivabradina deve ser usada com precaução em doentes com insuficiência cardíaca com classificação

funcional IV pela NYHA devido à quantidade limitada de dados nesta população.

AVC

A utilização de ivabradina não é recomendada imediatamente após um AVC porque não existem

dados nesta situação.

Função visual

Ivabradina influencia a função retiniana. Não existe evidência de efeito tóxico na retina com

tratamento a longo prazo com ivabradina (ver secção5.1). A interrupção do tratamento deve ser

considerada se ocorrer alguma deterioração inesperada na função visual. Devem tomar-se precauções

em doentes com retinite pigmentosa.

Precauções de utilização

Doentes com hipotensão

Os dados existentes são limitados em doentes com hipotensão ligeira a moderada, e a ivabradina deve

ser utilizada com precaução nestes doentes. A ivabradina é contraindicada em doentes com

hipotensão grave (pressão arterial < 90/50 mmHg) (ver secção 4.3).

Fibrilhação auricular – Arritmias cardíacas

Não existe evidência de risco de bradicardia (excessiva) no retorno ao ritmo sinusal quando é iniciada

cardioversão farmacológica em doentes tratados com ivabradina. No entanto, na ausência de dados

extensos, deve ser considerada cardioversão elétrica não urgente 24 horas após a última dose de

ivabradina.

Utilização em doentes com síndrome QT congénito ou tratados com medicamentos que prolongam o

intervalo QT

A utilização de ivabradina deve ser evitada em doentes com síndrome QT congénito ou tratados com

medicamentos que prolongam o intervalo QT (ver secção 4.5). Se a combinação for necessária,

impõe-se cuidadosa monitorização cardíaca.

A diminuição da frequência cardíaca, como a causada pela ivabradina, pode exacerbar o

prolongamento do intervalo QT, o que pode dar origem a arritmias graves, em particular

Torsades de

pointes

Doentes hipertensos que requerem modificações do tratamento da pressão arterial

No estudo SHIFT houve mais doentes a apresentarem episódios de aumento da pressão arterial

quando tratados com ivabradina (7,1%) comparativamente com doentes tratados com placebo (6,1%).

Estes episódios ocorreram com mais frequência pouco tempo após a modificação do tratamento da

pressão arterial, foram transitórios, e não afetaram o efeito do tratamento da ivabradina. Quando

forem feitas modificações ao tratamento de doentes com insuficiência cardíaca crónica tratados com

ivabradina, a pressão arterial deve ser monitorizada em intervalos apropriados (ver secção 4.8).

Excipientes

Como os comprimidos contêm lactose, doentes com problemas hereditários raros de intolerância à

galactose, de deficiência de lactase ou de mal-absorção de glucose-galactose não deverão tomar este

medicamento.

4.5

Interações medicamentosas e outras formas de interação

Interações farmacodinâmicas

Utilização concomitante não recomendada

Medicamentos que prolongam o intervalo QT

Medicamentos cardiovasculares que prolongam o intervalo QT (por ex. quinidina,

disopiramida, bepridilo, sotalol, ibutilida, amiodarona).

Medicamentos não cardiovasculares que prolongam o intervalo QT (por ex. pimozida,

ziprasidona, sertindol, mefloquina, halofantrina, pentamidina e cisaprida, eritromicina

intravenosa).

A utilização concomitante de ivabradina com medicamentos cardiovasculares e não cardiovasculares

que prolongam o intervalo QT deve ser evitada porque o prolongamento do intervalo QT pode ser

exacerbado pela redução da frequência cardíaca. Se a combinação for necessária, impõe-se cuidadosa

monitorização cardíaca (ver secção 4.4).

Uso concomitante com precaução

Diuréticos depletores de potássio (diuréticos tiazidicos e diuréticos da ansa): hipocaliemia pode

aumentar o risco de arritmias. Como a ivabradina pode causar bradicardia, a combinação de

hipocalemia e bradicardia é um fator de predisposição para o aparecimento de arritmias graves,

especialmente em doentes com o intervalo QT longo, de origem congénita ou induzido por uma

substância.

Interações farmacocinéticas

Citocromo P450 3A4 (CYP3A4)

A ivabradina é metabolizada só pelo CYP3A4 e é um inibidor muito fraco deste citocromo. A

ivabradina demonstrou não influenciar o metabolismo e as concentrações plasmáticas de outros

substratos do CYP3A4 (inibidores fracos, moderados e fortes). Os inibidores e indutores do CYP3A4

são suscetíveis a uma interação com a ivabradina e influenciam o seu metabolismo e farmacocinética

numa extensão clinicamente significativa. Estudos de interação medicamentosa estabeleceram que os

inibidores do CYP3A4 aumentam as concentrações plasmáticas de ivabradina, enquanto os indutores

as diminuem. As concentrações plasmáticas aumentadas de ivabradina podem estar associadas ao

risco de bradicardia excessiva (ver secção 4.4).

Utilização concomitante contraindicada

A utilização concomitante de inibidores potentes do CYP3A4 tais como os antifúngicos azol

(cetoconazol, itraconazol), antibióticos macrolidos (claritromicina, eritromicina oral, josamicina,

telitromicina), inibidores da protease do VIH (nelfinavir, ritonavir) e nefazodona está contraindicada

(ver secção 4.3). Os inibidores potentes do CYP3A4, cetoconazol (200 mg uma vez por dia) e

josamicina (1 g duas vezes por dia), aumentaram a exposição plasmática média da ivabradina em 7 a

8 vezes.

Inibidores moderados do CYP3A4: estudos específicos de interação em voluntários saudáveis e

doentes mostraram que a combinação de ivabradina com os agentes que reduzem a frequência

cardíaca diltiazem ou verapamilo resultou num aumento da exposição da ivabradina (aumento de 2 a 3

vezes na AUC) e numa redução adicional da frequência cardíaca de 5 bpm. A utilização concomitante

da ivabradina com estes medicamentos é contraindicada (ver secção 4.3).

Utilização concomitante não recomendada

Sumo de toranja: a exposição à ivabradina aumentou 2 vezes após a coadministração com sumo de

toranja. Assim, a ingestão de sumo de toranja deve ser evitada.

Utilização concomitante com precauções

Inibidores moderados do CYP3A4: a utilização concomitante de ivabradina com outros

inibidores moderados de CYP3A4 (ex. fluconazol) pode ser considerada com a dose inicial de

2,5 mg duas vezes por dia e se a frequência cardíaca em repouso estiver acima de 70 bpm, com

monitorização da frequência cardíaca.

Indutores do CYP3A4: os indutores do CYP3A4 (por ex. rifampicina, barbitúricos, fenitoína,

Hypericum perforatum

[hipericão]) podem diminuir a exposição e a atividade da ivabradina. A

utilização concomitante de medicamentos indutores do CYP3A4 pode requerer um ajuste de

dose de ivabradina. A combinação de ivabradina 10 mg duas vezes por dia com o hipericão

demonstrou reduzir a AUC da ivabradina para metade. A ingestão do hipericão deve ser restrita

durante o tratamento com ivabradina.

Outras utilizações concomitantes

Estudos específicos de interação medicamentosa demonstraram que não existe efeito clinicamente

significativo dos seguintes medicamentos na farmacocinética e farmacodinâmica da ivabradina:

inibidores da bomba de protões (omeprazol, lansoprazol), sildenafil, inibidores da redutase HMG

CoA (sinvastatina), bloqueadores dos canais de cálcio dihidropiridinicos (amlodipina, lacidipina),

digoxina e varfarina. Adicionalmente não houve qualquer efeito clinicamente significativo da

ivabradina sobre a farmacocinética da sinvastatina, amlodipina, lacidipina, sobre a farmacocinética e

farmacodinâmica da digoxina, varfarina e sobre a farmacodinâmica da aspirina.

Nos ensaios clínicos iniciais de fase III foram combinados normalmente com a ivabradina sem

evidência de problemas de segurança, os seguintes medicamentos: inibidores do enzima conversor da

angiotensina, antagonistas da angiotensina II, bloqueadores beta, diuréticos, antagonistas da

aldosterona, nitratos de curta e longa ação, inibidores da redutase HMG CoA, fibratos, inibidores da

bomba de protões, antidiabéticos orais, aspirina e outros medicamentos anti-plaquetários.

População pediátrica

Os estudos de interação só foram realizados em adultos.

4.6

Fertilidade, gravidez e aleitamento

Mulheres com potencial para engravidar

As mulheres com potencial para engravidar devem usar medidas contracetivas apropriadas durante o

tratamento (ver secção 4.3).

Gravidez

Não existem dados ou uma quantidade limitada de dados sobre a utilização de ivabradina em

mulheres grávidas. Estudos em animais revelaram toxicidade reprodutiva. Estes estudos revelaram

efeitos embriotóxico e teratogênico (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser

humano. Portanto, a ivabradina está contraindicada durante a gravidez (ver secção 4.3).

Amamentação

Os estudos em animais indicam que a ivabradina é excretada no leite. Portanto, a ivabradina está

contraindicada durante a amamentação (ver secção 4.3).

As mulheres que precisam de tratamento com a ivabradina devem parar de amamentar, e escolher

outra maneira de alimentar as suas crianças.

Fertilidade

Estudos em ratos não revelaram efeitos na fertilidade masculina e feminina (ver secção 5.3).

4.7

Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Um estudo específico para determinar a possível influência da ivabradina na capacidade de conduzir

foi efetuado em voluntários saudáveis no qual não foi evidenciada qualquer alteração na capacidade

de conduzir. Contudo, na experiência pós-comercialização, têm sido notificados casos de

comprometimento da capacidade de conduzir devido a sintomas visuais. A ivabradina pode causar

fenómenos luminosos transitórios que consistem principalmente em fosfenos (ver secção 4.8). A

possível ocorrência destes fenómenos luminosos deve ser tida em conta durante a condução ou

utilização de máquinas em situações onde possam ocorrer variações súbitas da intensidade da luz,

especialmente durante a condução noturna.

A ivabradina não tem influência na capacidade de utilizar máquinas.

4.8

Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

A ivabradina foi estudada em ensaios clínicos envolvendo cerca de 45.000 participantes.

As reações adversas mais frequentes com ivabradina, fenómenos luminosos (fosfenos) e bradicardia,

são dose dependente e estão relacionadas com o efeito farmacológico do medicamento.

Tabela com a lista de reações adversas

As seguintes reações adversas foram notificadas durante ensaios clínicos e são apresentadas por

ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência: muito frequentes (≥1/10);

frequentes (≥1/100 a <1/10); pouco frequentes (≥1/1.000 a <1/100); raros (≥1/10.000 a <1/1.000);

muito raros (< 1/10.000); desconhecido (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis).

Classes de sistemas de órgãos

Frequência

Termo preferido

Doenças do sangue e do sistema

linfático

Pouco frequentes

Eosinofilia

Doenças do metabolismo e da

nutrição

Pouco frequentes

Hiperuricémia

Doenças do sistema nervoso

Frequentes

Cefaleias, geralmente durante o

primeiro mês de tratamento

Tonturas, possivelmente relacionadas

com bradicardia

Pouco frequentes

Síncope, possivelmente relacionada

com bradicardia

Afeções oculares

Muito frequentes

Fenómenos luminosos (fosfenos)

Frequentes

Visão turva

Pouco frequentes*

Diplopia

Alteração visual

Afeções do ouvido e do labirinto

Pouco frequentes

Vertigem

Cardiopatias

Frequentes

Bradicardia

Bloqueio AV de 1º grau (intervalo PQ

prolongado no ECG)

Extrassístoles ventriculares

Fibrilhação auricular

Pouco frequentes

Palpitações, extrassístoles

supraventriculares

Muito raros

Bloqueio atrioventricular de 2º grau,

Bloqueio atrioventricular de 3º grau

Síndrome do nó sinoatrial

Vasculopatias

Frequentes

Pressão arterial não controlada

Pouco frequentes

Hipotensão, possivelmente

relacionada com bradicardia

Doenças respiratórias, torácicas e

do mediastino

Pouco frequentes

Dispneia

Doenças gastrointestinais

Pouco frequentes

Náusea

Obstipação

Diarreia

Dor abdominal

Afeções dos tecidos cutâneos e

subcutâneos

Pouco frequentes

Angioedema

Erupção cutânea

Raros

Eritema

Prurido

Urticária

Afeções musculosqueléticas e dos

tecidos conjuntivos

Pouco frequentes

Espasmos musculares

Perturbações gerais e alterações no

local de administração

Pouco frequentes

Astenia, possivelmente relacionada

com a bradicardia

Fadiga, possivelmente relacionada

com a bradicardia

Raros

Mal-estar geral, possivelmente

relacionada com bradicardia

Exames complementares de

diagnóstico

Pouco frequentes

Creatinemia elevada

ECG com o intervalo QT prolongado

– Frequência calculada com base nos acontecimentos adversos detetados a partir das notificações

espontâneas dos ensaios clínicos.

Descrição de determinadas reações adversas

Fenómenos luminosos (fosfenos) foram reportados por 14,5% dos doentes, descritos como um

aumento transitório da luminosidade numa área limitada do campo visual. São geralmente

desencadeados por variações súbitas na intensidade da luz. Os fosfenos podem também ser descritos

como um halo, imagem decomposta (efeito estroboscópico ou caleidoscópico), luzes coloridas e

brilhantes, ou imagens múltiplas (persistência retinal). O aparecimento dos fosfenos ocorre

geralmente durante os primeiros dois meses de tratamento após os quais podem ocorrer

repetidamente. Os fosfenos foram geralmente notificados como de intensidade ligeira a moderada.

Todos os fosfenos desapareceram durante ou após o tratamento, dos quais a maioria (77,5%)

desapareceram durante o tratamento. Menos de 1% dos doentes alteraram a sua rotina diária ou

interromperam o tratamento por causa dos fosfenos.

Bradicardia foi reportada por 3,3% dos doentes, particularmente durante os primeiros 2 a 3 meses do

início do tratamento. 0,5% dos doentes apresentaram bradicardia grave igual ou inferior a 40 bpm.

No estudo SIGNIFY foi observada fibrilhação auricular em 5,3% dos doentes a tomarem ivabradina

em comparação com 3,8 % no grupo de controlo. Numa análise conjunta de todos os ensaios clínicos

de Fase II / III controlados e com dupla ocultação, com duração de pelo menos 3 meses, incluindo

mais de 40.000 doentes, a incidência de fibrilhação auricular foi de 4,86% em doentes tratados com

ivabradina em comparação com 4,08% no grupo de controlo, o que corresponde a uma taxa de risco

de 1,26, 95% IC [1,15-1,39].

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma

vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos

profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema

nacional de notificação mencionado no Apêndice V*.

4.9

Sobredosagem

Sintomas

A sobredosagem pode originar bradicardia grave e prolongada (ver secção 4.8).

Tratamento

A bradicardia grave deve ser tratada sintomaticamente em meio especializado. No caso de bradicardia

com baixa tolerância hemodinâmica deve ser considerado o tratamento sintomático incluindo

medicamentos intravenosos beta-estimulantes tais como a isoprenalina. Pode ser instituída, se

necessário, terapêutica com pacemaker provisório.

5.

PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1

Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Terapia cardíaca, outras preparações cardíacas, código ATC: C01EB17

Mecanismo de ação

A ivabradina é um agente que diminui puramente a frequência cardíaca, atuando através da inibição

seletiva e específica da corrente

I

do “pacemaker” cardíaco que controla a despolarização diastólica

espontânea no nódulo sinusal e regula a frequência cardíaca. Os efeitos cardíacos são específicos do

nódulo sinusal sem efeito nos tempos de condução intra-auricular, auriculo-ventricular ou

intraventricular, nem sobre a contractilidade do miocárdio ou sobre a repolarização ventricular.

A ivabradina pode também interagir com a corrente

I

h

retiniana que é muito parecida com a

I

cardíaca. Participa na resolução temporal do sistema visual reduzindo a resposta da retina aos

estímulos luminosos brilhantes. Desencadeado por circunstâncias específicas (tais como alterações

repentinas da luminosidade), a inibição parcial da

I

h

pela ivabradina justifica os fenómenos luminosos

que podem ser ocasionalmente apresentados pelos doentes. Os fenómenos luminosos (fosfenos) são

descritos como um aumento transitório da luminosidade numa área limitada do campo visual (ver

secção 4.8).

Efeitos farmacodinâmicos

A principal propriedade farmacodinâmica da ivabradina no homem é uma redução específica da

frequência cardíaca, dose dependente. A análise da redução da frequência cardíaca com doses até

20 mg duas vezes por dia, indicam uma tendência para um efeito

plateau,

o que é consistente com um

risco reduzido de bradicardia grave abaixo de 40 bpm (ver secção 4.8).

Com as doses usualmente recomendadas, a redução da frequência cardíaca é aproximadamente 10

bpm em repouso e durante o exercício. Isto origina uma redução da carga de trabalho cardíaco e do

consumo de oxigénio pelo miocárdio.

A ivabradina não influencia a condução intracardíaca, a contractilidade (sem efeito inotrópico

negativo) ou a repolarização ventricular:

em estudos clínicos de eletrofisiologia, a ivabradina não teve efeito sobre os tempos de

condução auriculo-ventricular ou intraventricular ou sobre os intervalos QT corrigidos;

em doentes com disfunção ventricular esquerda (fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE)

entre 30 e 45%), a ivabradina não apresentou qualquer influência deletéria sobre a FEVE.

Eficácia e segurança clínicas

A eficácia antianginosa e anti-isquémica da ivabradina foi estudada em cinco ensaios aleatorizados

em dupla ocultação (três versus placebo, um versus atenolol e um versus amlodipina). Estes ensaios

incluíram um total de 4.111 doentes com angina de peito

estável, dos quais 2.617 receberam

ivabradina.

A ivabradina 5 mg duas vezes por dia mostrou ser eficaz nos parâmetros da prova de esforço ao fim

de 3 a 4 semanas de tratamento. A eficácia foi confirmada com 7,5 mg duas vezes por dia. Em

particular, o benefício adicional relativamente a 5 mg duas vezes por dia foi estabelecido num estudo

controlado por referência, versus atenolol: a duração total do exercício no vale aumentou em cerca de

1 minuto após um mês de tratamento com 5 mg duas vezes por dia e melhorou em cerca de mais 25

segundos após um período adicional de 3 meses com titulação forçada para 7,5 mg duas vezes por dia.

Neste estudo, os benefícios antianginosos e anti-isquémicos da ivabradina foram confirmados em

doentes com idade igual ou superior a 65 anos. A eficácia de 5 e 7,5 mg duas vezes por dia foi

consistente em todos os estudos nos parâmetros da prova de esforço (duração total do exercício,

tempo para angina limitante, tempo para aparecimento de angina e tempo para depressão de 1 mm do

segmento ST) e foi associada a uma diminuição de cerca de 70% da taxa de crises de angina. O

regime de administração de ivabradina duas vezes por dia assegurou eficácia uniforme durante

24 horas.

Num estudo aleatorizado controlado com placebo em 889 doentes, ivabradina adicionada ao atenolol

50 mg o.d. demonstrou eficácia adicional em todos os parâmetros TTE no vale da atividade do

medicamento (12 horas após a toma oral).

Num estudo aleatorizado controlado com placebo em 725 doentes, ivabradina não mostrou eficácia

adicional sobre amlodipina 10 mg o.d. no vale da atividade do medicamento (12 horas após toma oral)

enquanto que no pico mostrou uma eficácia adicional (3-4 horas após toma oral).

Num estudo aleatorizado controlado com placebo em 1277 doentes, a ivabradina demonstrou uma

eficácia adicional estatisticamente significativa na resposta ao tratamento (definido como uma

diminuição de pelo menos 3 ataques de angina por semana e / ou um aumento do tempo para

depressão de 1 mm do segmento ST de pelo menos 60 s durante um TTE em passadeira) adicionado à

amlodipina 5 mg o.d. ou à nifedipina GITS 30 mg o.d. no vale da atividade do medicamento (12 horas

após a ingestão oral de ivabradina) ao longo de um período de tratamento de 6 semanas (OR = 1,3, IC

95% [1,0-1,7], p = 0,012). A ivabradina não mostrou eficácia adicional nos objetivos secundários dos

parâmetros do TTE no vale da atividade do medicamento enquanto uma eficácia adicional foi

mostrada no pico (3-4 horas após a ingestão de ivabradina ora).

A eficácia da ivabradina manteve-se completamente durante os períodos de tratamento de 3 ou

4 meses nos ensaios de eficácia. Não houve evidência de tolerância farmacológica (perda de eficácia)

desenvolvida durante o tratamento nem de fenómenos “rebound” após descontinuação súbita do

tratamento. Os efeitos antianginosos e anti-isquémicos da ivabradina foram associados a reduções

dependentes da dose da frequência cardíaca e com uma diminuição significativa do produto

frequência pressão (frequência cardíaca x pressão sistólica) em repouso e durante o exercício. Os

efeitos sobre a pressão arterial e a resistência vascular periférica foram reduzidos e clinicamente não

significativos.

Foi demonstrada uma redução mantida da frequência cardíaca em doentes tratados com ivabradina

pelo menos durante um ano (n=713). Não se observou influência no metabolismo da glucose ou

lipídico.

A eficácia antianginosa e anti-isquémica da ivabradina foi mantida em doentes diabéticos (n = 457)

com um perfil de segurança semelhante ao da população em geral.

Foi realizado um grande estudo, BEAUTIFUL, em 10917 doentes com doença arterial coronária e

disfunção ventricular esquerda (FEVE < 40%) já tratados com a terapêutica considerada ótima, em

que 86,9% dos doentes recebiam bloqueadores beta. O critério principal de eficácia foi o resultado

combinado da morte cardiovascular, hospitalização por EM agudo ou hospitalização por novo

aparecimento ou agravamento da insuficiência cardíaca. O estudo não apresentou diferença na

frequência do resultado primário combinado do grupo ivabradina em comparação com o grupo

placebo (risco relativo ivabradina:placebo 1,00, p=0,945).

Num subgrupo

post-hoc

de doentes com angina sintomática na aleatorização (n=1507) não foi

identificado qualquer sinal de segurança relativamente à morte cardiovascular, hospitalização por EM

agudo ou insuficiência cardíaca (ivabradina 12,0% versus placebo15,5%, p=0,05)

Foi realizado um grande estudo, SIGNIFY, em 19.102 doentes com doença arterial coronária e sem

insuficiência cardíaca clínica (FEVE> 40%) já tratados com a terapêutica considerada ótima. Foi

utilizado um esquema terapêutico superior à posologia aprovada (dose inicial de 7,5 mg duas vezes

por dia (5 mg duas vezes por dia, se a idade ≥ 75 anos) e titulada até 10 mg duas vezes por dia). O

critério principal de eficácia foi o resultado combinado de morte cardiovascular ou EM não fatal. O

estudo não mostrou diferenças entre a taxa do objetivo composto primário (OCP) no grupo da

ivabradina em comparação com o grupo do placebo (risco relativo da ivabradina/placebo 1,08, p =

0,197). Bradicardia foi reportada em 17,9% dos doentes no grupo da ivabradina (2,1% no grupo

placebo). 7,1% dos doentes durante o estudo receberam verapamil, diltiazem ou fortes inibidores do

CYP 3A4.

Foi observado um pequeno aumento, estatisticamente significativo, do objetivo composto primário

num subgrupo pré-especificado de doentes com angina classe II CCS ou superior no início do estudo

(n = 12.049) (taxa anual de 3,4% versus 2,9%, risco relativo da ivabradina/placebo 1,18, p = 0,018),

mas não no subgrupo da população total de doentes com angina classe ≥ I CCS (n = 14.286) (risco

relativo da ivabradina/placebo 1,11, p = 0,110).

A dose superior à aprovada utilizada no estudo não explica completamente estes resultados.

O estudo SHIFT foi um grande estudo multicêntrico, internacional, aleatório, duplamente cego e

controlado com placebo, realizado em 6505 doentes adultos com IC crónica estável (com duração

semanas), classe NYHA II a IV, com redução da fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE

35%)

e a frequência cardíaca em repouso

70 bpm.

Os doentes receberam o tratamento padrão, incluindo bloqueadores beta (89%), IECAs e/ou

antagonistas da Angiotensina II (91%), diuréticos (83%), e antagonistas da aldosterona (60%). No

grupo da ivabradina, 67 % dos doentes foram tratados com 7,5 mg duas vezes ao dia. A mediana da

duração do seguimento foi de 22,9 meses. O tratamento com ivabradina foi associado com uma

redução média da frequência cardíaca de 15 bpm a partir do valor base de 80 bpm. A diferença da

frequência cardíaca entre o ramo da ivabradina e do placebo foi de 10,8 bpm aos 28 dias, 9,1 bpm aos

doze meses e 8,3 bpm aos 24 meses.

O estudo demonstrou clinicamente e estatisticamente uma redução significativa do risco relativo de

18 % na taxa do objetivo primário composto pela mortalidade cardiovascular e hospitalizações por

agravamentos da insuficiência cardíaca (risco relativo:0,82, IC 95% [0,75:0,90] – p<0,0001) evidente

após 3 meses do início do tratamento. A redução do risco absoluto foi de 4,2%. Os resultados do

objetivo primário são motivados principalmente pelos resultados da insuficiência cardíaca,

hospitalização por agravamento da insuficiência cardíaca (redução do risco absoluto em 4,7%) e

morte por insuficiência cardíaca (redução do risco absoluto em 1,1%).

Efeito do tratamento no objetivo primário composto, seus componentes e objetivo

s

secundários

Ivabradina

(N=3241)

n (%)

Placebo

(N=3264)

n (%)

Risco relativo

[IC 95%]

Valor do

Objetivo primário composto

793 (24.47)

937 (28.71)

0.82 [0.75; 0.90]

<0.0001

Componentes do composto:

- Morte cardiovascular

- Hospitalização por agravamento

da IC

449 (13.85)

514 (15.86)

491 (15.04)

672 (20.59)

0.91 [0.80; 1.03]

0.74 [0.66; 0.83]

0.128

<0.0001

Outros objetivo

s

secundários:

- Morte por todas as causas

- Morte por insuficiência cardiaca

Hospitalização

qualquer

causa

Hospitalização

razões

cardiovasculares.

503 (15.52)

113 (3.49)

1231 (37.98)

977 (30.15)

552 (16.91)

151 (4.63)

1356 (41.54)

1122 (34.38)

0.90 [0.80; 1.02]

0.74 [0.58;0.94]

0.89 [0.82;0.96]

0.85 [0.78; 0.92]

0.092

0.014

0.003

0.0002

A redução do objetivo primário foi observada de forma consistente, independentemente do género,

classe NYHA, insuficiência cardíaca de etiologia isquémica ou não-isquémica e história prévia de

diabetes ou hipertensão.

No subgrupo de doentes com FC

75 bpm (n=4150), a maior redução foi observada no objetivo

primário composto de 24% (risco relativo: 0,76, 95 % IC [0,68;0,85] – p<0.0001) e para outros

objetivo

s

secundários, incluindo morte por todas as causas (risco relativo: 0,83, 95% IC [0,72;0,96] –

=

0,0109) e morte cardiovascular (risco relativo: 0,83, IC 95% [0,71;0,97] – p

=

0,0166]). Neste

subgrupo de doentes, o perfil de segurança da ivabradina está em linha com o da população em geral.

Um efeito significativo foi observado no objetivo primário composto para a generalidade do grupo de

doentes que receberam tratamento com bloqueador beta (risco relativo: 0,85, IC 95% [0,76;0,94]). No

subgrupo de doentes com FC

75 bpm e com a dose alvo recomendada de bloqueador beta, não foi

observado qualquer benefício estatisticamente significativo no objetivo primário composto (risco

relativo: 0,97, IC 95% [0,74;1,28]) e nos outros objetivo

s

secundários, incluindo hospitalização por

agravamento da insuficiência cardíaca (risco relativo: 0,79, 95% IC [0,56;1,10]) ou morte por

insuficiência cardíaca (risco relativo: 0,69, 95% IC [0,31;1,53]).

Houve uma melhoria significativa da classe NYHA nos últimos dados recolhidos, 887 (28%) dos

doentes tratados com ivabradina melhoraram

versus

776 (24%) dos doentes com placebo (p=0,001).

Num estudo aleatorizado controlado com placebo em 97 doentes, os dados recolhidos durante as

investigações específicas de oftalmologia, com o objetivo de documentar a função dos sistemas de

cone e bastonete e a via visual ascendente (ou seja, electroretinograma, campos visuais estático e

cinético, visão de cores, acuidade visual ), em doentes tratados com ivabradina para a angina de peito

crónica estável ao longo de 3 anos, não mostrou qualquer toxicidade retiniana.

População pediátrica

Um estudo aleatorizado, duplamente cego, controlado com placebo foi realizado em 116 doentes

pediátricos (17 com idade entre [6-12[ meses, 36 com idade entre [1-3[ anos e 63 com idade entre [3-

18[ anos) com insuficiência cardíaca crónica e cardiomiopatia dilatada já tratados com a terapêutica

considerada ótima. 74 doentes receberam ivabradina (proporção 2:1). A dose inicial foi de 0,02 mg /

kg duas vez ao dia no subgrupo de idades [6-12[ meses, 0,05 mg / kg duas vezes ao dia nos grupos [1-

3[anos e [3-18[anos com <40 kg e 2,5 mg duas vezes ao dia no grupo [3 -18[anos e com ≥ 40 kg. A

dose foi adaptada dependendo da resposta terapêutica, com doses máximas de 0,2 mg / kg duas vezes

ao dia, 0,3 mg/kg duas vezes ao dia e 15 mg duas vezes ao dia, respetivamente. Neste estudo, a

ivabradina foi administrada sob a forma de solução oral ou comprimido duas vezes ao dia. A ausência

de diferenças farmacocinéticas entre as 2 formulações foi demostrada num estudo randomizado aberto

com dois períodos cruzados em 24 voluntários adultos saudáveis.

Uma redução de 20% da frequência cardíaca (FC), sem bradicardia, foi conseguida em 69,9% dos

doentes no grupo da ivabradina versus 12,2% no grupo do placebo durante o período de titulação de 2

a 8 semanas (

Odds Ratio

: E = 17,24, IC 95% [5,91 ; 50,30]).

As doses médias (mg / kg duas vezes ao dia) de ivabradina que permitiram alcançar uma redução de

20 % da FC foram de 0,13 ± 0,04 mg/kg duas vezes ao dia, 0,10 ± 0,04 mg/kg duas vezes ao dia e 4,1

± 2,2 mg duas vezes ao dia nos subgrupos de idade [1-3[ anos, [3-18[ anos e <40 kg e [3-18[ anos e ≥

40 kg, respetivamente.

A FEVE média aumentou de 31,8% para 45,3% em M012 no grupo da ivabradina versus 35,4% para

42,3% no grupo placebo. Houve uma melhoria da classe NYHA em 37,7% nos doentes a tomarem

ivabradina contra 25,0% no grupo placebo. Estas melhorias não foram estatisticamente significativas.

O perfil de segurança, após um ano, foi semelhante ao descrito em doentes adultos com insuficiência

cardíaca crónica.

Os efeitos a longo prazo da ivabradina no crescimento, puberdade e desenvolvimento geral, bem

como a eficácia a longo prazo da terapia com ivabradina na infância para reduzir a morbidade e

mortalidade cardiovascular não foram estudados.

A Agência Europeia de Medicamentos dispensou a obrigação de apresentação dos resultados dos

estudos com Corlentor em todos os sub-grupos da população pediátrica para o tratamento da angina

de peito.

A Agência Europeia de Medicamentos dispensou a obrigação de apresentação dos resultados dos

estudos com Corlentor em crianças com menos de 6 meses para o tratamento da insuficiência cardíaca

crónica.

5.2

Propriedades farmacocinéticas

Em condições fisiológicas, a ivabradina liberta-se rapidamente e é altamente solúvel (> 10 mg/ml). A

ivabradina é o S-enantiómero sem bioconversão demonstrada

in vivo

. O derivado N-desmetilado da

ivabradina foi identificado como o principal metabolito ativo no homem.

Absorção e biodisponibilidade

A ivabradina é rápida e quase completamente absorvida após administração oral, com um pico

plasmático alcançado ao fim de cerca de 1 hora em jejum. A biodisponibilidade absoluta dos

comprimidos revestidos é cerca de 40%, devido ao efeito de primeira passagem no intestino e no

fígado.

Os alimentos retardaram a absorção em cerca de 1 hora, e aumentaram a exposição plasmática em

cerca de 20 a 30%. A toma do comprimido durante as refeições é recomendada de forma a diminuir a

variabilidade intra-individual à exposição (ver secção 4.2).

Distribuição

A ivabradina liga-se às proteínas plasmáticas em cerca de 70% e o volume de distribuição no estado

de equilíbrio é cerca de 100 l nos doentes. A concentração plasmática máxima após administração

crónica da dose recomendada de 5 mg duas vezes por dia, é 22 ng/ml (CV=29%). A concentração

plasmática média é de 10 ng/ml (CV=38%) no estado de equilíbrio.

Biotransformação

A ivabradina é extensamente metabolizada pelo fígado e pelo intestino por oxidação, exclusivamente

através do citocromo P450 3A4 (CYP3A4). O principal metabolito ativo é o derivado N-desmetilado

(S 18982), com uma exposição de cerca de 40% do composto original. O metabolismo deste

metabolito ativo envolve também o CYP3A4. Ivabradina tem baixa afinidade para o CYP3A4, não

mostra indução ou inibição clinicamente relevante do CYP3A4 e portanto não é provável que

modifique o metabolismo do substrato do CYP3A4 ou as concentrações plasmáticas. Inversamente os

potentes inibidores e indutores podem afetar substancialmente as concentrações plasmáticas da

ivabradina (ver secção 4.5).

Eliminação

A ivabradina é eliminada com uma semi-vida principal de 2 horas (70-75% da AUC) no plasma e com

semi-vida efetiva de 11 horas. A

clearance

total é cerca de 400 ml/min e a

clearance

renal é cerca de

70 ml/min. A excreção de metabolitos ocorre numa extensão semelhante por via urinária e

gastrointestinal. Cerca de 4% da dose oral é excretada inalterada na urina.

Linearidade/não linearidade

A cinética da ivabradina é linear num intervalo de dose oral de 0,5-24 mg.

Populações especiais

Idosos: não se observaram diferenças farmacocinéticas (AUC e Cmáx) entre doentes idosos

65 anos), muito idosos (

75 anos) e a população em geral (ver secção 4.2).

Compromisso renal: o impacto da insuficiência renal (

clearance

da creatinina de 15 a

60 ml/min) sobre a farmacocinética da ivabradina é mínimo, em relação com a reduzida

contribuição da

clearance

renal (cerca de 20%) para a eliminação total quer para a ivabradina

quer para o seu principal metabolito S 18982 (ver secção 4.2).

Compromisso hepático: em doentes com compromisso hepático ligeiro (com um

score

Child-Pugh até 7) a AUC não ligado da ivabradina e o principal metabolito ativo foram cerca

de 20% superiores aos de indivíduos com função hepática normal. Os dados são insuficientes

para tirar conclusões em doentes com compromisso hepático moderado. Não existem dados

disponíveis em doentes com insuficiência hepática grave (ver secção 4.2 e 4.3).

População pediátrica: O perfil farmacocinético da ivabradina nos doentes pediátricos, entre os

6 meses e os 18 anos, com insuficiência cardíaca crónica é similar à farmacocinética descrita

nos adultos, quando se utiliza o esquema posológico baseado na idade e no peso.

Relação farmacocinética/farmacodinâmica (PC/PD)

A análise da relação PC/PD demonstrou que a frequência cardíaca diminui quase linearmente com o

aumento das concentrações plasmáticas de ivabradina e do S 18982 para doses até 15-20 mg duas

vezes por dia. Para doses superiores, a diminuição da frequência cardíaca deixa de ser proporcional às

concentrações plasmáticas de ivabradina e tende a alcançar um

plateau.

Exposições elevadas à

ivabradina que podem ocorrer quando a ivabradina é administrada em combinação com fortes

inibidores do CYP3A4, podem originar uma diminuição excessiva da frequência cardíaca, embora

este risco seja reduzido com inibidores moderados do CYP3A4 (ver secções 4.3, 4.4 e 4.5). A relação

PC/PD da ivabradina nos doentes pediátricos, entre os 6 meses e os 18 anos, com insuficiência

cardíaca crónica é similar à relação PC/PD descrita nos adultos.

5.3

Dados de segurança pré-clínica

Os dados não clínicos não revelam riscos especiais para o ser humano, segundo estudos

convencionais de farmacologia de segurança, toxicidade de dose repetida, genotoxicidade, potencial

carcinogénico. Os estudos de toxicidade reprodutiva não demonstraram efeito da ivabradina sobre a

fertilidade de ratos machos e fêmeas. Quando as fêmeas grávidas foram tratadas durante a

organogénese com exposições próximas às doses terapêuticas observou-se uma maior incidência de

fetos com defeitos cardíacos no rato e um pequeno número de fetos com ectrodactilia no coelho.

Nos cães que receberam ivabradina (doses de 2, 7 ou 24 mg/Kg/dia) durante um ano observaram-se

alterações reversíveis da função retiniana mas não associadas com quaisquer danos das estruturas

oculares. Estes dados são consistentes com o efeito farmacológico da ivabradina relacionado com a

sua interação com correntes

I

h

ativadas por hiperpolarização na retina, que partilham uma extensa

homologia com a corrente

I

f

do pacemaker cardíaco.

Outros estudos a longo prazo de doses repetidas e de carcinogenicidade não revelaram alterações

clinicamente relevantes.

Avaliação do Risco Ambiental (ARA)

A avaliação do risco ambiental da ivabradina tem sido conduzida de acordo com as guidelines

Europeias da ARA.

Os resultados destas avaliações suportam a falta de risco ambiental da ivabradina e que a ivabradina

não representa uma ameaça para o ambiente.

6.

INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1.

Lista dos excipientes

Núcleo

Lactose mono-hidratada

Estearato de magnésio (E 470 B)

Amido de milho

Maltodextrina

Sílica coloidal anidra (E 551)

Revestimento

Hipromelose (E 464)

Dióxido de titânio (E 171)

Macrogol 6000

Glicerol (E 422)

Estearato de magnésio (E 470 B)

Óxido de ferro amarelo (E 172)

Óxido de ferro vermelho (E 172)

6.2

Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3

Prazo de validade

3 anos.

6.4

Precauções especiais de conservação

O medicamento não necessita de quaisquer precauções especiais de conservação.

6.5

Natureza e conteúdo do recipiente

Blister de alumínio/PVC embalados em caixas de cartão.

Apresentações

Embalagens calendário contendo 14, 28, 56, 84, 98, 100 ou 112 comprimidos revestidos por película.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6

Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Qualquer medicamento não utilizado ou resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências

locais.

7.

TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Les Laboratoires Servier

50, rue Carnot

92284 Suresnes cedex

França

8.

NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Corlentor 5 mg comprimidos revestidos por película

EU/1/05/317/001-007

Corlentor 7,5 mg comprimidos revestidos por película

EU/1/05/317/008-014

9.

DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE

INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 25 de outubro de 2005

Data da última renovação: 31 de agosto de 2010

10.

DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência

Europeia de Medicamentos http://www.ema.europa.eu.

Leia o documento completo

30 Churchill Place

Canary Wharf

London E14 5EU

United Kingdom

An agency of the European Union

Telephone

+44 (0)20 3660 6000

Facsimile

+44 (0)20 3660 5555

Send a question via our website

www.ema.europa.eu/contact

© European Medicines Agency, 2019. Reproduction is authorised provided the source is acknowledged.

EMA/139086/2018

EMEA/H/C/000597

Resumo do EPAR destinado ao público

Corlentor (ivabradina)

Um resumo sobre o Corlentor e porque está autorizado na UE

O que é o Corlentor e para que é utilizado?

O Corlentor é um medicamento para o coração utilizado no tratamento dos sintomas da angina crónica

estável (dores no peito, maxilar e costas, originadas por esforço físico) em adultos com doença arterial

coronária (doença do coração causada pela obstrução dos vasos sanguíneos que transportam o sangue

ao músculo cardíaco). O medicamento é utilizado em doentes com ritmo cardíaco normal e cuja

frequência cardíaca seja igual ou superior a 70 batimentos por minuto. É utilizado em doentes que não

possam ser tratados com bloqueadores beta (outro tipo de medicamento para o tratamento da angina)

ou em associação com um bloqueador beta em doentes cuja doença não seja controlada apenas com o

tratamento com bloqueadores beta.

O Corlentor é igualmente utilizado em doentes com insuficiência cardíaca crónica (quando o coração

não consegue bombear sangue suficiente para o resto do corpo) com um ritmo cardíaco normal e cuja

frequência cardíaca seja igual ou superior a 75 batimentos por minuto. É utilizado em associação com

tratamentos padrão, incluindo bloqueadores beta, ou em doentes que não podem ser tratados com

bloqueadores beta.

O Corlentor contém a substância ativa ivabradina.

Como se utiliza o Corlentor?

O Corlentor está disponível na forma de comprimidos (5 e 7,5 mg) e só pode ser obtido mediante

receita médica.

A dose inicial recomendada é de 5 mg duas vezes ao dia, administrados com as refeições; o médico

poderá aumentar a dose para 7,5 mg duas vezes ao dia ou reduzi-la para 2,5 mg (meio comprimido de

5 mg) duas vezes ao dia, em função da frequência cardíaca e dos sintomas do doente. Nos doentes

com mais de 75 anos de idade, poderá ser utilizada uma dose inicial mais baixa de 2,5 mg duas vezes

ao dia. O tratamento terá de ser interrompido se a frequência cardíaca se situar constantemente

abaixo dos 50 batimentos por minuto ou se os sintomas de bradicardia (frequência cardíaca baixa)

persistirem. Quando utilizado na angina, o tratamento deve ser interrompido se não se verificarem

melhorias nos sintomas após 3 meses. Além disso, o médico deve considerar a interrupção do

Corlentor (ivabradina)

EMA/139086/2018

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tratamento se o medicamento tiver um efeito limitado na melhoria dos sintomas da angina ou no

abrandamento da frequência cardíaca no prazo de 3 meses.

Para mais informações sobre a utilização do Corlentor, consulte o Folheto Informativo ou contacte o

seu médico ou farmacêutico.

Como funciona o Corlentor?

Os sintomas da angina são causados pelo facto de o coração não receber sangue oxigenado suficiente.

Na angina estável, estes sintomas surgem durante um esforço físico. O princípio ativo do Corlentor, a

ivabradina, atua através do bloqueio das «correntes I

» no nódulo sinusal, o «pacemaker» natural do

coração que controla as suas contrações e regula a frequência cardíaca. Quando estas correntes ficam

bloqueadas, a frequência cardíaca baixa, pelo que o coração tem menos trabalho a fazer e necessita de

menos sangue oxigenado. Consequentemente, o Corlentor reduz ou previne os sintomas da angina.

Os sintomas da insuficiência cardíaca surgem quando o coração não consegue bombear sangue

suficiente para o resto do corpo. Ao diminuir a frequência cardíaca, o Corlentor reduz a pressão

exercida sobre o coração, o que permite retardar a progressão da insuficiência cardíaca e melhorar os

sintomas.

Quais os benefícios demonstrados pelo Corlentor durante os estudos?

Angina

O Corlentor foi comparado com um placebo (tratamento simulado) e com outros tratamentos em cinco

estudos principais que incluíram mais de 4000 doentes adultos com angina crónica estável. O principal

parâmetro de eficácia foi o tempo durante o qual os doentes conseguiam exercitar-se numa bicicleta

ou passadeira rolante, tempo esse medido no início e no final de cada estudo. Cada estudo teve uma

duração de três a quatro meses.

Num dos estudos que incluiu 360 doentes, os resultados mostraram que o medicamento foi mais eficaz

do que um placebo. Num estudo que incluiu 939 doentes, o medicamento foi tão eficaz como o

atenolol (um bloqueador beta) e, num estudo que incluiu 1195 doentes, o medicamento foi tão eficaz

como a amlodipina (outro medicamento utilizado no tratamento da angina). Num quarto estudo que

incluiu 889 doentes, o Corlentor foi mais eficaz do que o placebo, quando ambos foram associados a

atenolol. Porém, um quinto estudo que incluiu 728 doentes revelou que a associação de Corlentor a

amlodipina não resultou num benefício adicional.

Um sexto estudo comparou o Corlentor com um placebo em 19 102 doentes com doença arterial

coronária e sem insuficiência cardíaca clínica. O principal parâmetro de eficácia foi uma redução no

risco de morte por problemas cardíacos e de ataque cardíaco não fatal.

Neste estudo, verificou-se com o Corlentor, em comparação com um placebo, um aumento ligeiro, mas

significativo, do risco combinado de morte cardiovascular ou ataque cardíaco não fatal num subgrupo

específico de doentes com angina sintomática (3,4 % vs. 2,9 %, taxas de incidência anuais). No

entanto, importa salientar que os doentes neste estudo receberam doses superiores à dose

recomendada (até 10 mg duas vezes ao dia).

Insuficiência cardíaca

O Corlentor foi comparado com um placebo num estudo principal que incluiu mais de 6500 doentes

com insuficiência cardíaca crónica moderada a grave. Os resultados mostraram que o Corlentor foi

Corlentor (ivabradina)

EMA/139086/2018

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mais eficaz do que o placebo na prevenção da morte por doença cardíaca ou por doença dos vasos

sanguíneos, ou da hospitalização devido ao agravamento da insuficiência cardíaca: 24,5 % (793 em

3241) dos doentes tratados com o Corlentor morreram ou foram hospitalizados devido ao

agravamento da insuficiência cardíaca, em comparação com 28,7 % (937 em 3264) dos doentes

tratados com placebo.

Quais são os riscos associados ao Corlentor?

O efeito secundário mais frequente associado ao Corlentor (que pode afetar mais de 1 em cada 10

pessoas) é a ocorrência de fenómenos luminosos ou «fosfenos» (um aumento temporário da

luminosidade no campo visual). A bradicardia (frequência cardíaca baixa) é um efeito frequente (pode

afetar 1 em cada 10 pessoas). Para a lista completa dos efeitos secundários comunicados

relativamente ao Corlentor, consulte o Folheto Informativo.

O Corlentor é contraindicado em doentes com uma frequência cardíaca em repouso abaixo de

70 batimentos por minuto, tensão arterial muito baixa, diversos tipos de cardiopatias (incluindo choque

cardiogénico, perturbações do ritmo cardíaco, ataque cardíaco, insuficiência cardíaca instável ou aguda

(súbita) e angina instável) ou problemas graves no fígado. É contraindicado em mulheres grávidas, a

amamentar, ou em mulheres que possam engravidar e que não utilizem métodos contracetivos

adequados. O Corlentor não pode ser administrado em simultâneo com vários outros medicamentos.

Para a lista completa de restrições de utilização relativas ao Corlentor, consulte o Folheto Informativo.

Porque está o Corlentor autorizado na UE?

A Agência Europeia de Medicamentos concluiu que o Corlentor demonstrou ser eficaz no tratamento da

angina crónica e apresenta um perfil de segurança aceitável e, por esse motivo, constitui um

tratamento alternativo para os doentes que não possam tomar bloqueadores beta ou cuja doença não

seja controlada com estes medicamentos. Concluiu igualmente que o Corlentor foi eficaz no tratamento

da insuficiência cardíaca crónica, com um perfil de segurança aceitável. A Agência concluiu que os

benefícios do Corlentor são superiores aos seus riscos e o medicamento pode ser autorizado para

utilização na UE.

Para o tratamento da angina, o Corlentor foi inicialmente aprovado para doentes com uma frequência

cardíaca igual ou superior a 60 batimentos por minuto. No entanto, a sua utilização foi posteriormente

limitada a doentes com uma frequência cardíaca igual ou superior a 70 batimentos por minuto.

Que medidas estão a ser adotadas para garantir a utilização segura e eficaz

do Corlentor?

No Resumo das Características do Medicamento e no Folheto Informativo foram incluídas

recomendações e precauções a observar pelos profissionais de saúde e pelos doentes para a utilização

segura e eficaz do Corlentor.

Tal como para todos os medicamentos, os dados sobre a utilização do Corlentor são continuamente

monitorizados. Os efeitos secundários comunicados com o Corlentor são cuidadosamente avaliados e

são tomadas todas as medidas necessárias para proteger os doentes.

No âmbito de um procedimento ao abrigo do artigo 20.º do Regulamento (CE) n.º 726/2004. Pode consultar

informações adicionais aqui.

Corlentor (ivabradina)

EMA/139086/2018

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Outras informações sobre o Corlentor

Em 25 de outubro de 2005, o Corlentor recebeu uma Autorização de Introdução no Mercado, válida

para toda a UE.

Mais informações sobre o Corlentor, podem ser encontradas no sítio da Internet da Agência:

https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/corlentor

Este resumo foi atualizado pela última vez em 11-2018.

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